Falta tempo para mim. Marquei e desmarquei três vezes a sobrancelha. Raramente tenho "tempo sobrando" para ir a manicure e esperar o esmalte secar. Normalmente, estrago a unha recém pintada na hora de entrar no carro para ir embora. Acostumei com isso. Ao menos a cutícula está feita. Não vou nem falar da raiz crespa e escura (e ao mesmo tempo grisalha) do meu cabelo ''naturalmente'' loiro e liso. Para dar conta disso, preciso outro feriadão!
Comprei um sofá novo, lindo e amarelo. Para quebrar o marrom dos móveis da sala e curtir minha tv (também recém comprada) no conforto. Primeiramente, preciso dizer que a entrega do sofá foi praticamente um parto, pois tentavam entregar quando eu estava em casa, alegando que eu não estava. Minha mãe fez plantão, mobilizei um amigo para receber. No fim, chegaram na hora do almoço quando eu tentava "enjambrar" algo para comer. Sofá está ali, lindo, amarelo. Adoro chegar e vê-lo. Só não estou tendo o tempo para curtir. Normalmente, sento apenas por alguns minutos. A gata, sim. Ela está amando.
Tomar meu chimarrão é parte essencial da minha rotina. Maioria das vezes, tomar chimarrão só por tomar, curtindo fazer nada e simplesmente olhando a paisagem ou lendo não faz mais parte do meu dia a dia. Não imagina a alegria quando sobra um tempinho antes do almoço ou no fim da tarde: "não creio que terei uns minutos para deixar o mate realmente cevar!!!". Tô achando que terei que incluir a hora do mate na agenda.
Eu tenho duas manhãs "livres" que me servem de respiro quando algum compromisso durante a semana precisa ser alterado ou adiado ou trocado ou cancelado. Raramente está de fato livre, pois aí o "tempo livre" vira tempo de lavar roupa, estender, guardar (oi? isso demora!), lavar louça, cozinhar... Ah, o cozinhar. Adoro, mas criei uma forma mega prática de otimizar tempo e criar ou inventar em pouco tempo, entre um plano de aula e outro. É quase pecado, pois perco o processo do cozinhar, o ritual, os aromas, as harmonizações. Vou no instinto. Modéstia a parte, mesmo na pressa, tenho inventado coisas muito boas. Pena que eu nem sempre lembre como cheguei ao resultado final.
Os amigos, em geral, já sabem como meu sistema funciona. Família também. E muitas vezes, o jeito é agendar mesmo. Há duas semanas, uma amiga veio a Porto Alegre e me comunicou, com umas três semanas de antecedência. Se não fosse assim, não teríamos curtido momentos tão legais juntas. A família já altera programações de aniversários, para poder contar comigo. Isso não tem preço!
Falta ainda é agendar os pagamentos. Os grandes (aluguel, carro, cartão de crédito, papis...) costumo não esquecer. Mas não é garantia. Agora os pequenos ficam esquecidos. Não dou conta. Principalmente os carnês... impressionante. Ficam pra trás. Perdem-se quando não são em débito em conta. Acho que umas das saídas é não mais comprar.
Algumas vezes penso que meu cérebro não vai dar conta. Penso que já há informação demais a ser salva. Tenha a sensação que a capacidade é de um disquete, enquanto a quantidade de dados precisaria de uma nuvem com memória infinita. Por outro lado, fico com uma desconfiança de que faço pouco. Que não posso ser assim. Que tenho que enfrentar as coisas da vida. Que ficar aproveitando o sofá não é certo. Que ajeitar o cabelo. fazer a sobrancelha com calma e esperar o esmalte secar é coisa de dondoca. Que ter duas manhãs livres é coisa de preguiçosa. Que cozinhar sem pressa, curtindo a vibe, bem como matear sem compromisso, é coisa de desocupado. E que "alimentar" um blog, dando vazão à minha loucura criativa é desperdício de tempo. E viva a melatonina para poder dormir com tudo isso dentro de mim. Por que a cabeça não pára na hora de parar. Não é à toa a distração! Mas sabe o quê? Dentro da medida, isso até não precisa ser ruim. Perceber já é um avanço. Hoje é dia de sobrancelha!! Mas deitar no sofá já é demais. E o texto? Esse termina por enquanto aqui!