domingo, 17 de dezembro de 2017

Além do que imaginei...

Eu tenho um pequeno histórico de pequenas conquistas pessoais. Talvez nem tão pequenas. Mas acho que todo mundo tem um hall de coisas que são superações reais e mensurá-las nem sempre é justo. Consigo mesmo! Algumas coisas abalam mais ou menos. Algumas coisas a gente aprende a engolir, e toma olina para ajudar na digestão. Algumas coisas passam a ser simplesmente facílimas, comparando aquilo que ainda pode surgir. Ou que já surgiu. Algumas coisas nos protegem, nos blindam. Algumas outras nos motivam, nos inspiram, nos jogam para frente, nos dão uma espécie de up para seguir.
Faltam pouco mais de 10 dias para 2017 terminar. O saldo foi positivo, no fim das contas. Ao menos até agora. Mas teve muita coisa que puxou para baixo. Ou poderia ter puxado. Como sempre. É o saco da vida adulta, por que não tem como fugir. Mas se olho para trás e vejo que já conquistei, dá um puta orgulho de onde já cheguei. E de onde ainda posso chegar.
Ano começou lindo e agitado. Tive uma necessidade de silenciar, afastar, para depois (me) recuperar, me encontrar. Esse último processo que seguirá no próximo ano, o que de fato é libertador. Seguiu-se a correria habitual. Ora mais leve, ora mais intensa, mas nunca menos correria. Sempre pensando que as coisas vão melhorar. Mas na verdade, elas são dia a dia melhores que antes. A gente sempre pensa que pode mais no futuro e esquece do já viveu e do que vive no presente. A caminhada é o caminho, desculpa a redundância, para perceber o quão a vida é sim injusta, mas maravilhosa com a gente. Às vezes a gente tem medo de enfrentar, mas as coisas estão ali, esperando que a gente decida entrar, participar e tomar parte no choro de tristeza, mas também de alegria.
Sim! Tudo isso refleti ontem. Entrei lá. Depois de dar uma volta inteira. No sol. Descer do uber, já me deu a sensação de estar queimando. Sensação de que o buraco da camada de ozônio estava exatamente em cima de mim. E eu tinha usado camadas infinitas de protetor (minha pele em tom levemente lembrando palmito não me permite ousadias no calor escaldante) e com boné na cabeça (esse me custou os olhos da cara, mas era impossível lá estar sem algo a proteger. Mal sabia que a cabeça esquentaria mesmo. E o coração também.)
Prontamente me abasteci de líquido, afinal sou borracho, sim senhor! Já estava suando a camiseta, antes de tudo começar. Não consegui ficar aguardando no sol. Não dava conta. Me escondi. Sentei. No chão mesmo. Tentei me comunicar, antes que o sinal do telefone definitivamente terminasse. Duas semanas e pouco antes havia estado ali. Sem sol, à noite. E tinha vivido algo intenso até o nó na garganta não segurar mais as lágrimas. Naquela tarde de 16 de dezembro, estava novamente ali. Arrependi por uns momentos de não ter ficado em casa. Era o estilo do vô, do pai... Mas eu vim. Então pensei. Vou ficar aqui sentada, escondida. Não tão escondido, pois enxergava o azul. Não só do céu.
Eu tinha vindo preparada. Não era pessimismo. Era um quê de realidade. Aí ainda entrou uma mensagem dele: "Filha, já chegamos além do que podíamos imaginar!" E então percebi que isso a mais pura e escancarada verdade. Esconder-se não adiantava. Tinha que perceber o que de superação e conquista já tinha ocorrido. E valorizar isso. E perceber que estar ali, para vivenciar isso e entrar pra história e ter história para contar já era uma conquista enorme.
O sol me judiou de forma intensa. Me relembrou o quanto detesto verão. Mas tinha que enfrentar. Nem sempre consegui. Muitas vezes optei em enxergar pelo telão menor. O grande ''gritava'' na minha frente que eu já tinha vivido ali um sentimento que ainda não tinha conseguido mensurar. E eu não vim preparada pra explodir de novo, caso a conquista fosse além do imaginável. Eu acho que não estaria preparada mesmo. Dezembro de 2016 na Goethe tinha sido lindo. Novembro de 2017 ali naquele lugar tinha sido emocionante demais.
Já chegamos além do que podíamos imaginar. Eu fui além do que podia imaginar em muitas coisas da minha vida. E seguirei assim. Mas recuperar nesse último ano a alma copeira foi algo que não vou esquecer. Lembrar e reviver esse sentimento me conectou comigo mesma, por que me proporcionou momentos altamente catárticos. Chorar nas finais não era só pela paixão. Era chorar justamente por que podia extravasar o que eu não chorava em outras situações. Me permiti chorar ali. Por um motivo aparentemente fútil. Mas apaixonado. Chegar mais longe do que podia imaginar na vida e na paixão. Isso que o Grêmio me proporcionou nesse ano. Motivos para não surtar, não desistir. A olhar para minha trajetória, vendo as derrotas e valorizando muito mais as vitórias. Mesmo que elas não sejam exatamente aquelas que se julgava merecer. Solucei abraçada na minha pessoa. Chorei abraçada em pessoas que conheci ali. E percebi que ao meu redor muitas pessoas pensavam e sentiam da mesma forma que eu.

2017 termina melhor do que eu imaginava e longe de ser perfeito. Mas os planos para um 2018 já estão feitos. Eles incluirão quartas e domingos no Humaitá. Ele incluirá Gauchão, Brasileiro, Recopa e Libertadores na Arena. Ele incluirá, na minha vida, uma correria provavelmente tão sufocante como o sol da final. Mas eu sei que posso chegar mais longe do que posso imaginar. E que as coisas dão certo, mesmo que demorem, mesmo que esbarrem em barreiras intransponíveis, com o perdão do trocadilho. Passo a passo! Só ter paciência. A gente vai chegar lá. Vai por mim!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Bem filha do meu pai!

„Preciso falar com meu pai! Preciso falar com meu pai!” Foi essa a frase que repeti após me recuperar da primeira onda de choro soluçante após o apito final. “Preciso falar com meu pai e aqui na Arena meu celular não pega!”
Emprestaram-me um celular. Liguei para casa. A mãe atendeu. (Qual colorada se dá ao trabalho de atender o telefone após o jogo!?) “Passa pro pai, logo!” Obviamente não seria possível ouvir claramente o que ele falaria, mas eu falei o que precisava: “Paaaaaai, é tri, pai! É tri! É tri!!!!” “Sim, filha! Parabéns!” Foi o que consegui entender! Chorei de novo. Soluçando!
Ano passado escrevi aqui sobre ser neta do Eduardinho, pois assisti ao jogo na Goethe, antigo Estádio da Baixada. Era final da Copa do Brasil, após jejum de 15 anos, sendo que nesse tempo o Colorado acabou com seu deserto de títulos internacionais e alcançou também a América e o Mundo. Hoje escrevo por que no final desse jogo de 2017, peguei o rumo do Humaitá, mas estava com coração no Guarujá.
Eu vinha em dias ansiosa. Acho que como toda a nação tricolor. Três dias sem dormir direito e com direito à piriri na terça. Há entre tudo isso um final de ano letivo que deixa qualquer professor exausto, então tenho certeza que somatizou. Mas era uma ansiedade diferente e eu não queria reconhecer que poderia ser um choro contido devido à possibilidade de acabar com o planeta. Mas a concentração do Grêmio ser do lado do meu trabalho, os colegas partilhando planos de ir a Buenos Aires, o grupo do whats que eu criei para combinar a reserva de mesas no Gaúcha Sports Bar não parar nenhum minuto, os comentários lidos e ouvidos sobre  drones, lesões, cartões, idas do Grêmio a Conmebol entre outras coisas não me deixavam acalmar. Fora as discussões com pai, regadas a vinho e cerveja e que não deram chance nenhuma para participação de terceiros (a saber, mãe e mano). “Pai, vou pra Arena na final!” Não convidei, ele não iria. Na verdade, não queria que eu fosse. Dizia ser perigoso, ‘’contra-mão”. Pai não é gremista de estádio. Só se for Gauchão ou alguma rodada não decisiva de Brasileiro, onde não há risco de aglomeração ou briga.  Na verdade, acho que não vai para não deixar a emoção tomar conta. Eu decidi fazer diferente!
E aí galera, Arena então? Sim! Não, vamos pra Goethe! Goethe não tem telão. Arena é longe. Decidiram por mim ir a Arena.  Não conseguia mais pensar. Fui. Pai me ligou. ‘’Já chegou na Arena, filha!?’’ “Cheguei, mas aqui vou ficar sem sinal. Já está lindo. Vazio ainda, mas o clima é demais. Acho que vai dar, pai! Falamos quando eu estiver  a caminho de casa! Espero que tri!”
Eu tinha carona pra ir para a Arena. Mas tinha compromisso antes. Não sabia se chegaria a tempo no ponto de encontro. Por sorte, a carona também atrasou. Deu tempo de passar na farmácia e comprar spray para garganta. Não tinha mais voz antes mesmo de gritar no meio do povo. E não era de ter falado demais em aula. Era o psicológico. Anestesiei as cordas vocais e fui. Partiu Arena, com direito a entrar na contra-mão na Voluntários, sermos pegos pelos Azuizinhos, que pelo que parece também são gremistas e aliviaram a barra pro pessoal que se perdeu na saída da freeway.
Agora resta achar a trupe. Portão 6. Mas por quê? Por que é aqui ué!?. Não, não... portão 3. Não disse para ninguém, mas logo após entrar e visualizar o estádio pelo lado de dentro, eu segurei para não soluçar. Já ali! E também tive vontade de ir embora. Fazer as vezes do Eduardinho que não enfrentava decisões. Voltar para casa, tomar (outro) rivotril e poupar o coração, tipo o Claudio Julio que sei que foi dormir cedo em alguns jogos. Pensei em deixar que os vizinhos me avisassem. Se o barulho fosse ao lado, Grêmio. Se fosse em cima, Lanús!
Não dava, né!? Segue firme. Bebe, por que borracho fica mais fácil. E faltava muito ainda para começar? Será que tem jogo mesmo!? Demora muito. Credo! Não vou aguentar... O celular não pegar e a memória ter enchido na primeira meia hora dentro da Arena foi a prova de que eu teria que enfrentar tudo. Focada e concentrada. E assim foi. Tanto que me perdi do grupo. Não importa! Abraça desconhecido no gol. Engole de novo o soluço. Só precisa um empate, mas ‘’pode ter revés, não esquece.” Foi o que um colorado recém vice do América me disse antes de eu ir. E eu fiquei com isso no pensamento. Pode ter revés. Pode ter revés. Poupa o coração e as lágrimas. Aí depois do Fernandinho, vai o Luan e balança a rede. Arena explodiu de novo, arrepio total e algumas lágrimas já não consegui mais segurar. E eu não queria vir!? Como assim!? 
Cervejas e cervejas depois, borracho sim, senhor. Nem vi o pênalti. E não importava. Eu estava encantada com a Arena linda de azul (eu de rosa!), preparando para explodir e acabar com o tal planeta. Olhava e olhava. Meu pai não estava ali, pois temos nossas formas diferentes de torcer. Então o apito final veio. E deixei vir os soluços! Não preciso segurar mais. E nem tenho como. Queria me convencer do quão irracional era aquilo, que chorar por causa de futebol não faz sentido. Não dá. Sentimento a gente não explica. Sente e eu estava sentindo tudo, vibrando, cantando, chorando, soluçando, abraçando, bebendo, gritando e sendo tri! Em menos de um ano dois títulos? Eu não tinha vivido isso assim, na vida adulta. E nem tive a maturidade que os 34 no lombo deveriam me dar. E por isso, chora, chora. É por futebol? É. Pagam minhas contas? Óbvio que não! Mas deixa eu extravasar tudo aqui. É catártico. É válvula de escape e só tem me feito bem.
Sobre nossa única vez juntos na Arena
Voltou o sinal. Mandei mensagem pro pai. “É triii!” “Tem samba na vizinhança aqui, filha.”(Depois soube de fontes confiáveis que faltou pouco para ele ir sambar com a galera!) “Obrigada por me fazer gremista, pai. Te amo do tamanho da Arena.” “Ah, se o Eduardinho estivesse aqui. Por causa dele que somos gremistas, filha!” “Pai, tem mais. Tô a caminho da Goethe, mas não preocupa, pai. Volto inteira pra casa. Tá tudo tri!!! ” Será que ele faria isso? Acho que não. Eu fui além. Tive que ir pra Baixada. Hoje seria aniversário do Eduardinho. Ele estaria eufórico. Assim como eu. Assim como os filhos dele que provavelmente tiveram a sensação de que a semana não teve quinta. A quarta-feira durou dois dias.

O abraço TRI apertado darei no velho amanhã! Sou bem filha do Claudio Julio, por isso eu sou exagerada, soluçante e GREMISTA. E que venha o Mundial, mas aí chama a SAMU, pois não sei se dou conta!

domingo, 1 de outubro de 2017

Eu sabia...


"Life ain’t a merry-go-round
It’s a roller coaster"  (Roller Coaster - Bon Jovi)




Eu podia dizer que o texto que aqui é lido foi inspirado após um lindo final de semana de descanso. Ou após as flores que meu irmão me deu em um gesto de carinho gratuito que emocionou. Ou ainda posso dizer que me inspirou a reflexão que segue após um domingo lindo com minha família. Não. O que inspirou foi a merda de um temporal com ventos de mais 100 km por hora que me encontrou no retorno para casa justamente após esses momentos tão revigorantes que listei acima. Mas o que vivi nas duas horas que envolveram meu deslocamento e a minha reação em meio à tempestade nada mais foi do que a metáfora da semana.
Tive uma semana que fugiu ao meu controle. E isso me é muito difícil de admitir. Mas preciso reconhecer que minha agenda manda em mim. Tenho a falsa ilusão de controlá-la, mas não. Sou "descontrolada" em relação a isso. Trabalho com previsão do que pode ocorrer e essas previsões podem ou não se confirmar. Não raramente passo semanas com a previsão se mantendo com tempo bom. Mas essa semana que passou foi desde a segunda de manhã até agora a pouco, domingo à noite (eu sei que domingo já é outra semana, mas ainda não fechou o ciclo!) fora de qualquer previsão minha. Tive que adaptar, remarcar e reagendar compromissos todos os dias da semana. As situações adversas ocorreram por forças que estavam além do meu domínio e exigiram de mim, e de outras pessoas, um "pega junto", uma parceria, afinal estamos no mesmo time e sim, vestimos a camiseta. Os doze anos de vida profissional me deram um jogo de cintura para lidar com eventualidades no que diz respeito às aulas, mas já na segunda pensei eu "Olha, acho que não vou dar conta e vou acabar parando no meio do caminho!". Mas ai mudei a estratégia e decidi pensar por etapas, vivendo por turnos, mesmo que tivesse que pensar na agenda um pouco mais adiante. De vez em quando vinha a ideia "Não vou dar conta". E eu brigava com ela, pois sabia que podia dar conta, sim. E que daria. A Mayane de 15 anos atrás não daria. E não deu por um tempo. A de hoje, não aceita mais isso. Mudou a forma de lidar. Respira e vai. Turno por turno. Algumas paradas estratégicas. Alguns choros no caminho com a possibilidade de tudo estar se aproximando do final e de perceber "Viu?! Eu sabia que daria conta! EU SABIA!" E ai veio o sábado. O irmão me fazendo pipoca para eu assistir minha série que voltou do hiato. O churrasco com a família. Mais um pouco de choro de desabafo e alívio do "Eu dou conta, viu?!". As flores como um carinho no coração. O Grêmio com gol no final do jogo. Vou pra casa, gente! Organizar a semana que há de ser menos "descontrolada".
E aí a merda de um temporal com ventos de mais 100 km por hora que me encontrou no retorno para casa.Outro "descontrole"! Eu não contava com essa previsão, não!  Achei que era algo no estilo Cleo Kuhn o que estavam dizendo. O domingo amanheceu lindo. E se chovesse, seria algo sem grande impacto. "Olha, acho que não vou dar conta e vou acabar parando no meio do caminho!" E esse meio do caminho era em cima do viaduto. Fui fria. Peguei um desvio. Faltou luz. Não enxergava nada. Não tinha onde parar tão perto e estava perigoso ficar exposta na rua. Nunca o Carrefour foi tão longe. Tive que fazer uma parada. Assim como na semana, em que pensei por turnos, tive que pensar por partes. O telhado do estacionamento parecia que ia voar. Família avisada. Espera. Espera. Espera mais um pouco. Acalmou. Vou enfrentar. De vez em quando vinha a ideia "Não vou dar conta". E eu brigava com ela, pois sabia que podia dar conta, sim. E que daria. Não tinha luz. Eu continuava sem enxergar. Tinha árvore caída. Carro estragado. Pessoas atravessando na frente dos carros. E eu fria. Racional. Até que então voltei ao meu caminho. Aquele que me desviei. Senti que tinha o controle de novo. Previsão mais uma vez. Primeiro pensei que era um simples congestionamento. Que nada! Alagamento. Gente! Eu não sei passar com carro em rua alagada. Eu desvio! "Não vou dar conta". Não tinha o que fazer. Não tinha como voltar. O choro veio vindo, pois eu sabia que logo ali vinha o fim. Era só alguns metros. Eu tinha sido racional. Dirigi sem enxergar pela falta de luz e quantidade de chuva, com vento quase me levando, e me mantive fria. Mas ali com a rua alagada tremi. "Não vou dar conta." Era a ideia. Briguei com ela. Pensa por partes, mas rápido. Tu sabe o que fazer, só não faz por medo. Agora vai ter que ir. E vai dar conta. A tua agenda e a natureza tu não tens como controlar. Mas os "dar contas" da tua vida são teus! E aí vim chorando até em casa! Era o alívio e o desabafo de perceber "Viu?! Eu sabia que daria conta! EU SABIA!"

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Um passo para frente vale por quantos!?



Ser ou não maduro não é uma questão de escolha. Nem de momento. É questão de preparo. De experiência. De vivência e de abertura para a vida. 
Não, espera! Vou me contradizer. É escolha, sim. Escolha para estar disposto a refletir sobre suas próprias coisas e tomar rumos diferentes ou não.
Escolher morar sozinha novamente, há dois anos atrás e assumir os rumos da minha vida de forma independente me fez amadurecer no sentido ter responsabilidades que antes não havia, inclusive as financeiras.
Escolher seguir na profissão na qual me formei e insistir teimosamente na área do magistério me trouxe uma maturidade docente que me deu um jogo de cintura favorável em meio à correria do cotidiano.
Escolher me cercar de pessoas que agregam, somam, multiplicam, inspiram traz uma maturidade nas relações de amizade e mostra que há pessoas que levamos para a vida toda e há outras que a própria vida trata de afastar.
Escolher refletir sobre minhas ansiedades trouxe a maturidade de perceber até onde posso ir e até onde aguento sem causar danos.
Escolher refletir sobre os meus limites e sobre quantas vezes eu os ultrapasso, principalmente no que diz respeito a trabalhar demais, me faz ter a maturidade de conseguir dizer não quando a carga me é demasiada.
Escolher refletir também sobre os limites que os outros ultrapassam em relação a mim, por que se acham no direito por quaisquer motivos ou por acharem que fazem para o meu bem, traz a maturidade de dizer “ei, chega” ou me afastar. Ou os dois.
Escolher refletir sobre como são as minhas relações familiares e o porquê  de serem como são traz a maturidade e a serenidade de entender pai, mãe e irmão e alinhar as coisas, afinal de contas o amor ainda prevalece.

Escolher refletir sobre relacionamentos passados, histórias vividas, cacos juntados, traumas vividos, ansiedades sufocantes, medos bobos, padrões repetidos, comportamentos equivocados e decisões mal tomadas e ter a maturidade de aprender com tudo isso e finalmente conseguir começar a colocar em prática a premissa de não repeti-los é incrível. Sem dúvida que é um processo. Cada dia um passo, para frente.  Às vezes, até dois. Eventualmente, a gente se vê dando um mini passo para trás. Mas aí lembra do quão libertador é ter superado tantas coisas e conseguir reverter a seu favor, mesmo quando bate uma bad. É incrível! Libertador! E aí faz a escolha de se forçar a dar um passo para frente de novo.  Isso é a tal maturidade! E para frente, diz aí, vale por quantos mesmo?!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Gatos e Erico Verissimo

Quem me conhece sabe que tenho uma gata chamada Ana Terra. E que durante quatro dias após o resgate dela, antes de eu leva-la para o veterinário, ela andou pela casa sendo chamada de Erico Verissimo. Talvez só quem conviveu comigo nos áureos e magros tempos compreendidos entre 2002 e 2005 sabe que minha admiração pelo autor cruz-altense não se limita a batizar gatos. Ou gatas.
Não li “O Continente” na época da leitura obrigatória da UFRGS, pois não sou dessas de ler na modinha. Não sou obrigada. Não passei no vestibular. Após a matrícula efetiva de 2002 na UNISINOS, ansiava por chegar na disciplina de Literatura Gaúcha, na época ministrada por uma, hoje já falecida, professora especialista em Erico. Na grade curricular, isso ocorreria apenas no meio do curso. Antecipei-me. Iniciei, mesmo em meio à enxurrada de onze, doze livros ao mesmo tempo (pois, sim, dessa vez tinha que ler mesmo obrigada, sim senhora!) a leitura de “O Tempo e o Vento” lá pelo segundo semestre. Não teve mais volta. E entendam. Foi “O Continente”, “O Retrato” e “O Arquipélago”. E foi “Incidente em Antares”. E “Olhai os lírios do campo”, “O resto é silêncio”, “Clarissa” e “Solo de Clarineta 1” e metade do 2. Isso do que lembro, pois sou ruim com memorizar nomes.
Quando chegou finalmente Literatura Gaúcha, era outra professora. Já a conhecia, de outras disciplinas de Literatura Portuguesa, mas me decepcionei. Eu já sonhava em um TCC com a especialista do Erico. Mal sabia eu que a finada professora, que veio a ser paraninfa da minha turma e fez seu discurso com trechos de Solo de Clarineta, já tinha lista de espera, na época, até 2007. Acabei optando pela professora que ministrou a disciplina mesmo. E foi a melhor coisa que aconteceu, pois ela era tão especialista do cara quanto a outra, eu é que não sabia. Só que era mais divertida e acessível. E sem querer querendo, escrevi meu TCC sobre Erico Verissimo e duas de suas obras no ano que seria seu centenário.
Lembro de ter uma infinidade de publicações, exposições, seminários, congressos, filmes, documentários sobre ele e sua obra. Lembro de ter tido acesso a obras que nas livrarias e bibliotecas já nem existem mais, do acervo pessoal da orientadora, vindas de pessoas ligadas diretamente ao Erico. Só faltou eu ter visitado Cruz Alta. Bom, não era à toa que eu era conhecida como uma das viúvas do Erico entre as colegas! Durante a produção do TCC, acabei lendo o “Tempo e o Vento” mais duas vezes. Põe na conta aí. Li três vezes tudo então. Após formada, achei em um sebo virtual uma versão em alemão de “O Continente”. Confesso que não li. Não tenho coragem! Fico muito crítica com versões cinematográficas ou traduzidas. Mas o tenho. Um dia chego lá!

Para o TCC, também analise “Incidente em Antares”. E acabei lendo umas três vezes também. Lembro que ele me foi empréstimo de um namoradinho lá em 2002 ou 2003. Terminou o namoro e nunca mais nos vimos. Mesmo! Ficou o livro! Juro que tentei contato para devolver! Depois da faculdade, já era. Cheio de anotações e marcações. Hoje decidi reler. Na história, alguns mortos insepultos voltam para protestar. A gente tem sempre muita coisa insepulta na gente. Vou ver se Antares ajuda a sepultar esses mortos metafóricos. Literatura sempre ajudou. Erico então nem se fala. E é assim mesmo. Sem acento no Erico. E sem acento no Verissimo. Sei do que estou falando. Meu TCC foi nota máxima e sou viúva dele, lembram?

PS- Nunca terei um gato chamando Capitão Rodrigo. Que fique claro! Ele era um caco de homem! Nego-me! Mesmo tendo sido linda e encantadoramente representado por Tiago Lacerda no filme! Um certo gato Capitão Rodrigo jamais! Antes só, não é Ana Terra?!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Distração e melatoninas

Tenho andado distraído. Distraída. Sempre muita coisa na cabeça. A agenda há tempos não é de papel, pois a esquecia. Passou a ser via celular, sincronizada com tablet e que me envia notificação via email. Mas a distração, para quem não está atento, é quase imperceptível. Acho que disfarço bem, mas é assunto grave. Às vezes me impressiona como dou conta de tudo. Na verdade, sei, sim, por quê. Eu tenho a eterna impressão de que faço pouco, de que no meio da correria sempre tem tempo para mais, que não me esforço, que sou preguiçosa.
Falta tempo para mim. Marquei e desmarquei três vezes a sobrancelha. Raramente tenho "tempo sobrando" para ir a manicure e esperar o esmalte secar. Normalmente, estrago a unha recém pintada na hora de entrar no carro para ir embora. Acostumei com isso. Ao menos a cutícula está feita. Não vou nem falar da raiz crespa e escura (e ao mesmo tempo grisalha) do meu cabelo ''naturalmente'' loiro e liso. Para dar conta disso, preciso outro feriadão!
Comprei um sofá novo, lindo e amarelo. Para quebrar o marrom dos móveis da sala e curtir minha tv (também recém comprada) no conforto. Primeiramente, preciso dizer que a entrega do sofá foi praticamente um parto, pois tentavam entregar quando eu estava em casa, alegando que eu não estava. Minha mãe fez plantão, mobilizei um amigo para receber. No fim, chegaram na hora do almoço quando eu tentava "enjambrar" algo para comer. Sofá está ali, lindo, amarelo. Adoro chegar e vê-lo. Só não estou tendo o tempo para curtir. Normalmente, sento apenas por alguns minutos. A gata, sim. Ela está amando.
Tomar meu chimarrão é parte essencial da minha rotina. Maioria das vezes, tomar chimarrão só por tomar, curtindo fazer nada e simplesmente olhando a paisagem ou lendo não faz mais parte do meu dia a dia. Não imagina a alegria quando sobra um tempinho antes do almoço ou no fim da tarde: "não creio que terei uns minutos para deixar o mate realmente cevar!!!". Tô achando que terei que incluir a hora do mate na agenda.
Eu tenho duas manhãs "livres" que me servem de respiro quando algum compromisso durante a semana precisa ser alterado ou adiado ou trocado ou cancelado. Raramente está de fato livre, pois aí o "tempo livre" vira tempo de lavar roupa, estender, guardar (oi? isso demora!), lavar louça, cozinhar... Ah, o cozinhar. Adoro, mas criei uma forma mega prática de otimizar tempo e criar ou inventar em pouco tempo, entre um plano de aula e outro. É quase pecado, pois perco o processo do cozinhar, o ritual, os aromas, as harmonizações.  Vou no instinto. Modéstia a parte, mesmo na pressa, tenho inventado coisas muito boas. Pena que eu nem sempre lembre como cheguei ao resultado final.
Os amigos, em geral, já sabem como meu sistema funciona. Família também. E muitas vezes, o jeito é agendar mesmo. Há duas semanas, uma amiga veio a Porto Alegre e me comunicou, com umas três semanas de antecedência. Se não fosse assim, não teríamos curtido momentos tão legais juntas. A família já altera programações de aniversários, para poder contar comigo. Isso não tem preço!
Falta ainda é agendar os pagamentos. Os grandes (aluguel, carro, cartão de crédito, papis...) costumo não esquecer. Mas não é garantia. Agora os pequenos ficam esquecidos. Não dou conta. Principalmente os carnês... impressionante. Ficam pra trás. Perdem-se quando não são em débito em conta. Acho que umas das saídas é não mais comprar.
Algumas vezes penso que meu cérebro não vai dar conta. Penso que já há informação demais a ser salva. Tenha a sensação que a capacidade é de um disquete, enquanto a quantidade de dados precisaria de uma nuvem com memória infinita. Por outro lado, fico com uma desconfiança de que faço pouco. Que não posso ser assim. Que tenho que enfrentar as coisas da vida. Que ficar aproveitando o sofá não é certo. Que ajeitar o cabelo. fazer a sobrancelha com calma e esperar o esmalte secar é coisa de dondoca. Que ter duas manhãs livres é coisa de preguiçosa. Que cozinhar sem pressa, curtindo a vibe, bem como matear sem compromisso, é coisa de desocupado. E que "alimentar" um blog, dando vazão à minha loucura criativa é desperdício de tempo. E viva a melatonina para poder dormir com tudo isso dentro de mim. Por que a cabeça não pára na hora de parar. Não é à toa a distração! Mas sabe o quê? Dentro da medida, isso até não precisa ser ruim. Perceber já é um avanço. Hoje é dia de sobrancelha!! Mas deitar no sofá já é demais. E o texto? Esse termina por enquanto aqui!


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ser ou Estar?


O  correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito – por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia.
Guimaraes Rosa (Grande Sertao Veredas)


É sexta-feira. É sexta-feira santa.  É uma sexta-feira atípica no ano. É um feriado religioso, já que celebra-se a morte de Jesus, sob o ponto de vista cristão. É um feriado gastronômico também já que é o dia que as bacalhoadas, peixadas, e tudo o mais que se relaciona a seres que vivem em água estão sobre as mesas.  Por esses motivos, considero essa uma sexta-feira meio triste. Tristeza pela lembrança do sacrifício pela salvação de todo aquele que professa a fé no Cristo que ressuscita no domingo. Tristeza por que eu não como peixe, ora bolas.A vida da gente, porém, vem recheada de momentos tristes. Às vezes pequenos momentos. Outras vezes, momentos sufocantes. Às vezes, por motivos sem aparente importância. Outras vezes, por serem realmente grandes problemas. Mas na verdade, nenhum tipo de sofrimento pode ser mensurado por outrem. Cada um sente de uma forma, sendo física ou da alma, mas a dor, a tristeza faz parte da vida da gente. Quem vive 100% feliz, desculpa, mas não vive.Estar triste é diferente de ser triste. Em língua portuguesa, diferentemente de outras línguas (como o alemão e o inglês, por exemplo), há o significado de SER e o ESTAR em dois verbos. Assim, creio eu, conseguimos expressar de maneira mais específica o que SER e ESTAR realmente expressam. Eu não sou triste, mas eventualmente estou. E esse estar dói. E isso é independente do tamanho dos problemas, mas da intensidade que eles nos encontram: frágeis nos laços amorosos, familiares, sociais, financeiros, profissionais, morais. Se dói, deixa doer. Não desespera, pois os momentos de felicidade virão. Tenta usar as dores do estar triste para mover algo dentro de ti. Refletir, sair da zona de conforto, estabelecer novos limites, reestabelecer novas metas. Domingo Jesus ressuscitará e o tal coelho trará ovos de chocolate, como dupla simbologia do renascimento. Amanhã, pode voltar a alimentação normal, pois parece que de fato comer carne hoje é pecado (é o que muitos pensam, não importa o que tenha ocorrido em outras sextas, sábados, domingos...). O estar triste há de passar também. Mas tem que ter um esforço nesse sentido. Como disse Guimarães Rosa na frase que destaquei acima, tem que ter CORAGEM. Para não acabar substituindo o ESTAR pelo SER.  Estar triste prepara a gente para o ESTAR feliz. Ou SER feliz! Mesmo na dúvida se tem ressureição após a paixão da sexta santa. Mas pode ficar tranquilo. ELE volta, sim! É o que sustenta a minha fé.  Por isso sei que a tristeza da sexta ou de outros dias passará. Por enquanto, fui ali ser feliz um pouco. Meu mate está pronto. Boa páscoa para vocês!


segunda-feira, 13 de março de 2017

Revisão dos 33...

Hoje cedo deixei o carro na concessionária, pois já urgia a revisão dos 20 mil quilômetros. Sou relapsa em relação ao carro. Esqueço de calibrar os pneus. Esqueço a troca de óleo. Não esqueço a gasolina por motivos óbvios, mas muitas vezes ando na reserva, pensando no próximo posto. A revisão, entretanto, não podia mais esquecer, sob pena de perder a garantia, pois não faltava muito para chegar aos 21 mil.
A garota que me atendeu ofereceu as três revisões possíveis. Assustei com o valor. Ainda mais na crise e na espera ansiosa de sacar a conta inativa do FGTS. A diferença entre a completa e básica era grande. Não pensei muito, apesar da questão monetária. "Quero a completa!".
Em outras circunstâncias, optaria pela revisão mais simples! Revisa ai o que é realmente básico, só para eu poder levar o carro logo. Mas não! Hoje, não! Faz tudo que tem pra fazer nessa lista de itens e eu busco à tarde. Parcela em 4x para o susto não ser grande, ainda mais por que é o cartão da mãe. E aí eu vou "engolindo" as prestações aos poucos, mas com a segurança de que após dois anos, meu carro não corre o risco de me deixar na mão nas muitas andanças.
Penso que meu "Bala de Prata" é uma metáfora para meu momento de revisão interna. Durante muito tempo (33 anos, 10 meses e alguns dias) creio que minhas revisões foram somente básicas. Obviamente não me foi preciso realizar as revisões periódicas desde sempre, assim como com o carro. Mas desde que a vida adulta chegou de fato e dela não pude mais fugir, algumas trocas de óleo e calibragem de pneu foram realmente esquecidas no que diz respeito ao motor que funciona aqui dentro. E quando foram feitas, optei pela revisão básica.
Pela primeira vez em anos, tenho me deparado com reflexões profundas sobre mim. Ando em crise com o que fui, sou e serei. Nada dramático, nem que necessite de preocupação demasiada de quem aqui me lê. Mas sim, estou em crise. No geral, tento levar a coisa de forma mais leve possível, com exceção dos momentos de TPM. Mas a crise existe. Uma crise que me obriga a mudar. Uma crise que me obriga a testar meus limites e a brigar. Uma crise que me obriga a me afastar para depois me reaproximar mais serena. Uma briga que me faz enxergar de forma mais clara os padrões de comportamento meus e dos que me cercam, de forma a poder me blindar do que não é bom e curtir aquilo que realmente me fortalece. Uma crise que me fez enxergar que não preciso construir muros para me isolar, mas sim uma cerca com um portão, o qual estará eventual e temporariamente fechado e outras vezes completamente escancarado. Uma crise que me faz reconhecer que os amores mal resolvidos serviram realmente como escola para fazer um próximo amor muito bem resolvido, mesmo que ainda não seja a hora, a meu ver, de dar conta desse tipo de nova e bem sucedida ocorrência. Uma crise que me faz perceber que um domingo sozinha com a gata pode ser um momento muito bom e que um mesmo domingo na casa dos pais igualmente importante, a depender da situação. Uma crise que me faz curtir o meu canto e redescobrir minhas leituras e estudos, coisas perdidas há um tempo.
Acabaram de ligar da concessionária dizendo que tem coisa a mais para ajeitar. Autorizado. Parcela em 5x? Melhor ainda. Da mesma forma, tenho percebido que encontro cada vez mais coisa para rever em mim. Dói, às vezes bastante. Não tem como mensurar. Assim como também os gastos extras da San Marino no UNO doem no bolso.  Mas para seguir em frente é preciso estar disposto a isso, se não o carro corre o risco de me deixar na mão. E as Mayanes que moram aqui dentro também! (Descobri que existem várias Eus que nem sempre andam em harmonia. Mas calma... não estou dizendo que ouço vozes, não... mas perceber que eu me crio e me recrio a cada situação é quase como descobrir que várias Mayanezinhas moram dentro de uma só pessoa...)
Logo mais busco o carro e tenho certeza de que não será mais o mesmo. Do mesmo jeito, a cada dia, algum acontecimento (seja ele pessoal, financeiro, profissional, familiar, físico ou psicológico) faz com que eu me modifique e dê mais um passo no rumo da revisão completa e sem esquecimentos, mesmo que tenha que ser periódica. E eis o segredo. Perceber os sinais do motor e se dar conta quando a revisão é necessária. E espero que assim eu consiga rodar por ai sem grandes panes! Dos dois jeitos!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Fico para trás...

Ele andava a passos lentos, apreciando a paisagem, a arquitetura... Sorria para as pessoas, pensava em puxar assunto, mas acho que se dava conta de que o idioma era uma barreira. Parava para apreciar vitrines e ter ideias de sapatos, chapéus, sobretudos.  A questão é que em geral ele ficava para trás durante nossas andanças por terras europeias. E acho que fazia isso também devido à loucura que a "comissão de frente" da patota, que era levemente acelerada e agitada (incluo-me nessa e sei que represento papel importante nisso), apresentava. Tenho certeza de que enxergou muito mais do que nós, em sua visão menos ansiosa e nervosa das coisas. Assim ele é. Lutador, trabalhador. Meio atrapalhado, mas de atitude. Conciliador, racional... e com uma visão sempre mais clara e melhor da situação. Eu que o diga.
Foto realmente histórica... (Roma)
Dizem que ele "enrolou" a mãe durante 10 anos até casar. E casou podendo comprar tudo à vista. Acho que fez certo.
Por causa dele, tenho um detalhe geográfico no meu RG, pois nasci em Florianópolis, devido aos áureos tempos de Pepsi em São José.
Certa vez fiquei com as costas raladas, pois em algumas brincadeiras, as quais EU sempre "exigia" serem feitas do meu jeito, eu pedia para ele me puxar pelas pernas, arrastando-me pela casa. Mas havia um tapete áspero. Foram alguns dias de dor. E também houve a vez em que o obriguei a dançar Xuxa comigo na sala e a vibração do piso de madeira fez o anjinho de porcelana se espatifar no chão!
Ele me contava histórias antes de eu dormir. E sob protestos meus, fazia exercícios visuais para acelerar o processo  de cura da estrábica Mayane de 4 anos.
Tranquilidade de quem já sabia que
a compras do cartão cairiam só em março  (Lisboa)
Quando nasceu meu irmão, ele viajou comigo para Floripa. Só nós dois. Eu insisti em dormir em cima no beliche do quarto, fato que o deixou assustadíssimo e preocupado durante a noite e do qual simplesmente não me lembro. Ele, nessa estadia na capital catarinense, presenciou as primeiras palavras que eu li sozinha, quando eu mesmo fiz o pedido no restaurante: "Massa na Manteiga". (Hoje entendo que não li coisa nenhuma. Fiz assimilação fonética, com as sílabas semelhantes às iniciais do meu nome). Achavam que eu era adotada, já que era tão loirinha e ele, ainda com cabelo, o tinha escuro e acompanhado de barba igualmente escura. Temos esses momentos só nossos!
Ele sempre foi muito presente. Inclusive na minha vida escolar. Eu era a filha do Claudio Julio do Conselho Escolar. Minha "sorte" era ser, de certa forma, boa aluna, pois havia uma fama a zelar. E depois que passou a trabalhar no bairro então? Aí sim, a fama se consolidou. Na verdade, às vezes penso que os demais pensam que meu pai é fundador do Guarujá. Pois conhece gente demais, desde muito tempo. E gente que ele vai encontrar em tudo o que é canto. Há anos.
Na adolescência, como em qualquer família, tive embates acirrados com ele. Imagina? Ele não deixou eu namorar aos 12 anos. Absurdo não é?! Vinte e tantos anos depois, as coisas são tão mais claras... ainda bem! Algumas vezes, a situação financeira era uma chateação para mim. Enquanto pessoas imaturas e em formação, nem sempre conseguimos mensurar a realidade que nos cerca e, em algumas vezes, briguei por não ter o que queria ou ir aonde desejava.
Por que me trazem para a Europa
sempre no inverno? (Amsterdam)
No que diz respeito aos namoricos, costumava ouvir que "ainda não é hora, minha filha". Ou estava terminando o ensino fundamental. Ou o ensino médio. Ou começando a faculdade. Ou terminando a faculdade. Ainda tenho as dúvidas se para um pai há "hora certa", mas sempre achei isso fofo, dentro da medida. A questão é que sempre ouvi o quanto eu precisava buscar a evolução, estudar, trabalhar, conquistar e não depender de ninguém. E que sempre buscasse alguém que me fizesse crescer e com pudesse ter uma parceria. Hoje, após os 30, percebo o quanto essas orientações foram essenciais.
Ele me acompanhou a Carazinho, em uma bate e volta, quando fui fazer minha primeira entrevista para meu primeiro emprego, dois dias depois de formada. Escolheu o apartamento comigo e fez o primeiro reconhecimento do centro do munic
ípio comigo. Foi me visitar algumas vezes, ao longo dos quatro anos seguintes e me deu todo suporte quando decidi dar o "peitaço" e voltar para casa. O mesmo suporte, ocorreu quando me "obrigou" a fazer um concurso do magistério estadual, mexendo alguns pauzinhos para que eu lecionasse na antiga escola, ao lado de casa. E também quando decidi me exonerar. E também quando decidi comprar meu primeiro carro.
Ele costuma enxergar as coisas de forma mais prática e racional. Em geral, eu também. Mas em alguns momentos de dúvidas dominicais, ele me faz enxergar, na ponta do lápis, que a falência ainda não estão tão perto, não! Até por que tenho a tal conta inativa, cuja data de saque ele já me informou!
O dia em que a outra mulher da minha vida
escolheu minhas compras na liquidação (Lisboa)
Tenho a impressão de que estou em eterna dívida com ele. E não falo só de dívida financeira. Dívida de vida. De talvez não retribuir à altura, dentro das minhas limitações humanas e temperamentais, a tudo o que ele é. Fiz uma tentativa de marcar isso em mim e para ele fiz uma tatuagem. "Um castelo forte é meu pai". Pois isso que ele é. Castelo forte em tempos de agitações. Meu óculos multifocal quando não enxergo do jeito que deveria.  Meu espumante em momentos de comemoração. Meu cochilo pós-almoço quando bate a preguiça. Meu papo-cabeça certeiro sobre política. Minha base para ser Tricolor. Meu passo lento e observador em lugares novos.
Que teu novo ano, meu pai, seja somente de coisas boas. E que, ajustados nossos passos, possamos observar melhor e colecionar muito mais momentos juntos. Sejam eles como os das fotos, sejam eles de mate na parreira na zona sul ou de socorros financeiros na zona norte. Orgulho de ser tua filha, orgulho do que és.
Ria alto. Sorria para as pessoas, puxe assunto e conte as piadas sem graça que tem, sim, graça (eu é que sou chata). Continue a andar a passos lentos, apreciando a paisagem, a arquitetura... Pare para apreciar vitrines e ter ideias de sapatos, chapéus, sobretudos. Eu prometo desacelerar e ficar para trás junto contigo. FELIZ ANIVERSÁRIO!



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ora pois, Portugal... somos 8 novamente, mas nem sempre.

Última etapa iniciou retornando ao solo português, onde só estivemos no aeroporto na conexão para Veneza. Confesso que foi um alívio pensar que não havia mais a barreira do idioma e poderíamos simplesmente agir naturalmente (a minha expressão oral, partindo da minha análise auto-exigente, é limitada e eu sempre tive a impressão que soava artificial, uma vez que eu ensaiava as falas! Tudo o que eu sempre digo para os alunos não fazerem, Afirmo que devem simplesmente se preocupar com a comunicação! Santo de casa...).
Após três horas de voo entre Amsterdam e Lisboa, tivemos o desafio de deixar as malas (as quais a cada dia se multiplicavam!) no aeroporto e rumar a Fátima de ônibus apenas com uma mochila, para evitar tanto peso sem necessidade. Deixa comigo que vou perguntar onde pegamos o transporte para o terminal rodoviário. "Pegas o autobus na paragem aqui a frente. Verás pessoas de camisolas amarelas!" É, a tal barreira inexistente do idioma parece que apresenta alguns limites. Mas nos encontramos e após uma coxinha de frango para alguns e bolinhos da bacalhau para outros, rumamos à cidade dos três pastorinhos.
Visitar Fátima era significativo demais para minha mãe. Ela se chama Jacinta. Foi uma forma de minha avó mostrar sua devoção à Nossa Senhora de Fátima. Batizou também outros dois filhos com nomes dos pastorinhos: Francisco e Lucia.
Depois de uma hora e meia, desembarcamos na cidade e fomos a pé ao hotel, que fica incrivelmente ao lado do santuário e que recebeu uma ônibus cheio de coreanos, chegados da Espanha e que fizeram check in logo após nossa trupe, que a essa altura ainda contava com sete pessoas. Era aniversário do Gelson, portanto jantamos no restaurante do hotel, que apresentava um buffet muito bom, com direito a bacalhau para eles e carne vermelha para mim. Brindamos com vinho verde e fomos ao Santuário, pois havia a oração do terço às 21h30 na capelinha das Aparições.
A esplanada vazia, a basílica iluminada, a oração multicultural em português, coreano e polonês, a chuva  fraca e o frio deram um ar místico ao lugar. Realmente a energia é singular, como já tinha me relatado até mesmo uma pessoa agnóstica que já estivera em Fátima. Na manhã seguinte, o plano era rumar ao vilarejo onde teriam ocorrido algumas aparições e onde moraram as crianças.
Chovia muito pela manhã. Solicitamos um táxi que nos fez um pequeno tour guiado.  Emocionante. Paisagem linda. Lugar acolhedor. Transbordando fé e história. Terminamos com a missa na Basílica e pouco após as 13h, rumamos a Lisboa.
Após resgatar as malas e encontrar um táxi que levasse sete pessoas e umas nove ou dez malas, chegamos ao hotel e reencontramos nosso oitavo integrante. Uma volta para reconhecer a vizinhança, um vinho português, um jantar com bacalhau para eles e carne para mim. E uma sensação boa de "estar em casa".
A primeira ida à parte histórica não contou com os dois dodóis da turma: mãe e Gelson. Ainda febris devido ao resfriado, ficaram descansando no hotel. (Uma pena. Não tenho foto com a minha véia em Lisboa). Fizemos um roteiro turístico adaptado às necessidades que alguns tiveram de aproveitar liquidações. Subimos no Elevador de Santa Justa, cuja visão nos deixou apaixonados pela cidade. Perambulamos pelo Rossio. Tomamos a Ginjinha Espinheira, indicação valiosíssima de um "destemperado" amigo. Algumas garrafas compradas e tonturas adquiridas por pessoas sensíveis aos 23% de gradação alcoólica, e então almoçamos em restaurante com vista para a praça D.Pedro IV (com direito a mais um shot de Ginjinha dessa que vos escreve!). O charme ficou por conta do passeio pós-almoco com um daqueles bondes antigos e uma visita relâmpago no Castelo de São Jorge. E mais uma vista da charmosa Lisboa. À noite, a "ala jovem" jantou no Hard Rock Café e prometeu não ir a nenhuma steak house no próximo semestre, dada a ignorância gastronômica praticada.
Dia seguinte, bate e volta no Porto, somente entre 6. Gelson e Lu resguardaram-se devido ao resfriado ainda insistente. Experiência de voar Ryan Air. Mas isso não tematizarei, pois me arrancou lágrimas. Cidade charmosa nos recebeu com garoa. Depois nos acarinhou com uma chuva torrencial enquanto almoçávamos, depois de caminhar, visitar lojas, igrejas, livrarias (Mudaria-me para a Lello, um sonho!!). O passeio no rio Douro com aproximação cuidadosa com o oceano, uma vez que havia tempestades marítimas.
Um dia inteiro caminhando pela cidade nos fez apaixonar por ela, mas cansar imensamente. Rumamos de volta ao aeroporto. Ânimos cabisbaixos. Final da viagem se aproximando. Talvez fosse por isso. Eis que adormecemos já após a meia-noite e teríamos o último dia em terras europeias a aproveitar.
Último dia teve visita ao Oceanário pela manhã. Encanto e tonturas com tantas marítimas criaturas. Larga mãe no hotel e seguimos para Belém. É do outro lado da cidade. Menos mal que os portugueses são simpáticos e não só nos dão informações, como também aulas de história em meio a relatos de quanto o balanço do ônibus "doem as ancas'' da simpática senhora lusitana. Frio, vento, rio parecia mar. E o tal pastel de Belém?
O último jantar na Europa foi em um restaurante sugerido pelo alemão do grupo. No cardápio, constava o nome do restaurante ("Antônios") com uma curiosa legenda: "Restaurante de Segunda". Perguntei: ''Por que ''de segunda''? "Pois não é de primeira!" Questão é que o clima foi de primeira, sim. Risadas, fotos, agradecimentos, desculpas, vinhos e vontade de quero mais. Muito mais. E não falo da comida ''de segunda''.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Amsterdam Experience... jornada dos 7, às vezes 6...

Não curto avião, mas tivemos que enfrentar o terceiro voo em uma semana para poder rumar à capital do Reino dos Países Baixos (popularmente conhecido pelo nome de suas maiores províncias, a saber Holanda do Norte/do Sul): Amsterdam. E de cara, um encantamento com a forma que fomos recebidos, onde até essa que vos fala se fez entendida em seu inglês precário com sotaque germânico na hora de perguntar de onde saía o trem para a estação "Sloterdijk".
O aroma característico de uma quinta à noite com a juventude em frente ao hostel (que fica incrivelmente "grudado" na estação com nome quase impronunciável supracitado ) deixou a ala mais madura do grupo um pouco chocada. Ou vai ver era só o frio de -2ºC. Eu estava encantada com a semelhança, nesse pouco contato entre o aeroporto e o hotel, com a "minha" Alemanha. E pela segunda vez, dormia na parte de cima de um beliche. A primeira experiência fora em Munique, dois anos antes.
O encanto se concretizou no dia seguinte no primeiro tour na cidade, com direito a Sprinter (uma espécie de trem regional que nos deixava na estação "Amsterdam Centraal") e o tram (bonde dentro da cidade). E o resquício de decepção que havia, depois de um tratamento não muito atencioso dos italianos, se desfez quando simplesmente fomos abordados por um funcionário da empresa de transporte, enquanto estávamos na fila para compra o ticket de ida ao centro. "Precisa de ajuda?" Não preciso mais nada, essa gente é demais. Apaixonada pelo país.
O frio congelou nossas mãos e ouvidos enquanto tiramos fotos bem típicas no letreiro "I Amsterdam" em frente ao Rijksmuseum ou perambulamos sem rumo pelas ruas do centro, até achar um restaurante fofo e rústico com direito a sopa e Heinekens. E eu que não reclamo do frio, realmente congelei as mãos. Mas a felicidade de uma amante do frio não se abalou.
Passamos por ruas, parques e praças charmosas. Tiramos fotos clássicas nos canais. Até achar a rua de Souvenirs que leva à estação e que também tem um supermercado Albert Heijn, tipo patrimônio da Holanda, como o Zaffari no Rio Grande do Sul. Só que bom! Feito o dia. E todos amando tudo. Inclusive as famosas batatas-fritas de rua, com bastante maionese. :)
Dia seguinte, algumas emoções conhecendo a casa da Anne Frank, infelizmente com a mãe resfriada e com suas tosses alérgicas, remediadas pelo médico particular do grupo. Larga a mãe no hostel para descansar e vamos para a Heineken Experience, com direito a gravar nome na sua garrafa e no seu copo. 
Animados após a degustação, não podia falar uma passada no Red Light District, que dentro da nossa imaginação era algo muito maior do que era. Mano não se conformou e seguir duas quadras adiante, até retornar se conformando que não tinha mais nenhuma zona por ali.  
Mãe febril no retorno, preocupações, um desentendimento de irmãos, cansaço extremo, choro... nada além do normal, se 7 pessoas convivem mais de dez dias praticamente o dia todo.
Domingo de aniversário de casamento dos véios. Para quem casou em um calor de 40 graus e passou lua de mel em Camboriú, comemorar a data 35 anos depois em um frio negativo holandês não é ruim, não. Tivemos uma baixa: número cinco não acordou. Pena... foi dia de conhecer Zaanse Schans, onde ficam os famosos moinhos, e de imaginar a beleza de um dia de verão nesse lugar. Se bem que o frio estava bom para a sopa com vinho que tomamos antes de retornar. E então fazer as últimas compras de tamancos de madeira, tulipas também de madeira, ou em forma de sombrinha, entre outras coisas que deixam qualquer turista louco. E do último mate na terra dos diques, com a facilidade de nem precisar esquentar a água, pois a da torneira já estava praticamente no ''padrão Mayane de esterilização de cordas vocais".
A vontade de ficar era grande, mesmo o hostel não tendo banheira. Mesmo com o café da manhã não incluso. Mesmo com nomes impronunciáveis e com tantos outros nomes com Dijk e Dam no final. Mesmo com o tal aroma característico. Mesmo sem o Spice Muffin. Ah, baita troço de cidade.  Beber Heineken, mesmo no Brasil, há de ter sempre um quê de saudade.



domingo, 5 de fevereiro de 2017

Attenzione... ou jornada dos 8, agora 7

Na primeira semana fora de casa, passamos por duas cidades. Veneza encantadora nos deixou impressionados com a beleza dos canais e a habilidade dos gondoleiros. E o preço dos restaurantes. E o valor do transporte. E com a falta de carros na ilha. E com a  igreja de Nossa Senhora da Saúde que era "em frente ao hotel", mas nos levou duas horas de caminhada. De ruelas, vielas, pontes, prédios charmosamente "mal cuidados", garçons mal-humorados de cafés. De atendentes de hotel "bem piás", falando português. De gritos de "Attenzzione" dos carrinhos de entrega de manhã cedo. De hotel antigo com "baldiação" de elevador para chegar ao andar do quarto. De tombos correndo em direção ao canal. De se perder voltando ao hotel e quase cair de fato em um canal. De "vinos rossos". De proseccos, papos cabeça no quarto, porre e choradeira (tinha que ter uma experiência em solo europeu, não?). De barco-táxi com medo de cair e de perder a mala. De vaporetos lotados e de gente se afogando (Sim, uma pessoa caiu da embarcação nas águas do Grande Canal, em frente à estação de trem, enquanto lá estávamos aguardando o trem para Roma. Cheguei a vê-la tentando alcançar a boia, mas não sei se com sucesso!!!!). De embarque em Frecchiarossas com direito a farofada e chimarrão.
Roma nos recebeu em um domingo à noite e nos deixou meio mal impressionados. Estação lotada. Mapa e intuições certas, falta de confiança conduzindo pro lado errado. Pessoas sem falar inglês. Uma hora e meia para encontrar hotel que estava distante 500 metros. Um grupo, agora já de 7 pessoas, cansado ao extremo e comendo um sanduba qualquer e indo dormir achando que a cidade podia, sim, ser melhor sinalizada. O dia seguinte de intensa programação, depois de meia manhã de folga: Coliseu, Foro Romano, Paladino. Aí sim, chegamos a Roma. Mas a galera continua sem falar muito inglês, mesmo depois de a gente arranhar um "no parlo multo biene, can you speak english?". Isso não foi problema, na verdade,principalmente para os mais vecchios que simplesmente falavam em português e pronto. Vamos procurar a Fontana de Trevi? Decepção: achamos, mas não achamos, achando que tínhamos achado. Segundo dia de Castel Sant'angelo e reconhecimento de cenas de "Anjos e Demônios", vis(i)ta relâmpago da Piazza San Pietro com pensamento "Isso é o Vaticano?", Piazza Navona, poder do mapa em minhas mãos (com Google Maps, é claro!), Pantheon, una pasta a la carbonara, finalmente a Fontana de Trevi cheia de gente e com moedas na fonte e, escuta, onde é a tal Kiko Milano? Arrisquei um Gelatto e a intolerância à lactose me permitiu seguir tranquila até o hotel.
Terceiro dia, cedo pro Vaticano. Cruza a praça São Pedro. Preciso retirar os tickets? Fala com a guarda suíça. Mas eles só ficam lá dentro. Fala com a Gendarmeria. Cruza de volta. Pergunta para um cardeal. É lá do outro lado. Cruza de novo, mano. Mas disseram que era aqui, como assim do outro lado? Afinal de contas, onde é a tal porta de Bronze? Do outro lado? Entra na fila da basílica? Corre, o papa deve estar entrando. E, sim...o Chiquinho já estava lá. Frio na rua e audiência papal semanal dentro da sala com nome de papa. Emoção de ouví-lo e sentir a presença dele no mesmo ambiente, mesmo que de longe, pagou a correria. Almoço em típica cantina italiana, com direito a nos enganarem na promoção de dez euros que saiu por 14, afinal pedimos o tamanho maior (e não tinha informação de tamanho dos pratos!) e com tiramissu de baunilha (que na verdade era torta, número cinco que entendeu que tiramisu tem vários sabores!!!). Partiu Museu Vaticano e por fim a Capela Sistina. Não pode fotografar? Ufa, ainda bem. Não aguento mais tirar foto de tudo!! E não aguento mais os chineses por tudo! Inclusive fotografando os afrescos de Michelangelo. E na saída, passo direto e nem vejo mais nada de nenhum papa. E entre muitos "no, thank you" para quem oferecia suportes de selfie, souvenirs, tours guiados que tentavam nos empurrar simplesmente por que éramos quase um grupo CVC, um desses chatos me oferece algo que não lembro o que era e na minha negativa larga um  "que brasiliana antipática". Pois aí essa"alemoa" irritada  responde "Sou antipática mesmo e só retribuo o teu tratamento, seu abobado!" É...acho que estamos cansados! E puxa vida, temos que ir na pizzaria que fica no caminho do hotel. Passamos por ali pelo menos duas vezes ao dia e o mesmo garçom sempre nos saúda e diz que está a nossa espera. É... nem todos os romanos são tão antipáticos do que aqueles quatro ou cinco que simplesmente não nos deram informações no primeiro dia na estação. E a pizza era ótima, sem dúvida.
Última manhã, encomendas: make-up (essa Kiko Milano rende sempre mais e mais compras!!), camisetas de time, casacos e blusões em liquidação, casacos esquecidos no quarto após check-out e van lotada, mas lotada mesmo de mala e gente louca. Itália para trás! Mas sem esquecer os limoncellos!! Arrivederci, Italia! Good bye, Italy. Nessa mistura de sentimentos e idiomas, viver um pouco da tua história nos deixou lembrança de muitos bons momentos.
São as coisas boas da vida!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Jornada dos 8...



Cada um de um jeito se preparando para a jornada. Pois, sim, não é por que é férias, que não há de ser uma jornada e das cansativas. Ainda mais para oito pessoas viajando juntas. 
O agente de viagens, também conhecido como meu irmão, há meses organiza tudo. Na verdade, desde agosto. Procurar promoções, voos lowcost, trens, tickets de trem, entradas de musues, rotas e roteiros dá trabalho e piriris. Muitos piriris. E eu tentando o convencer de que qualquer ansiedade simplesmente terminaria ao chegara ao aeroporto. E nao foi que nao saiu conforme planejado? E a minha promessa não se concretizou. A mala nova "do agente", com apenas metade do peso, estourou. Mas nada "desmorounou", apesar de ele ter dito que era essa sensação.
A mãe de azul, combinante, com um echarpe azul floreada (a qual já tirou nos primeiros minutos no aeroporto, pois só usa para fazer charme, mas não se sente bem) queria já de dentro da van, recém estacionando no aeroporto, desembarcar, pegar a mala estourada e ir consertar. Fez isso, saiu "correndo", mas nao tinha ideia de onde podia arrumar a situacao. Resolvido com o protec bag, vamos pro check-in: "Tenho up grade pra executiva". "Será que o rapaz conhece o presidente da empresa em que trabalha? Eu sim." . "Mãe, não dá "carteiraço" que não vai funcionar!" Tudo certo. E a executiva deles garantida.
O pai meio perdido. Acho que quietinho de concentrado. Também combinante, mas de azul. E meio descabelado, no pouco cabelo branco que lhe resta na cabeça calva. "Vamos comer alguma coisa? Me dá o dinheiro, Jacinta!" Silencio pensativo. "Te dei os reais, mas acho que tu deixou em casa pelo jeito." Pai, usa meu cartao. A senha é xxxx. Memorizou?". Falei isso 5x ."Vou ali pedir a comida e já volto." Dois minutos e ele volta. " Vou ali no outro lugar." "Pai, a senha é... " . "Já memorizei na primeira vez, filha!"
A número 5, também chamada de Mana, Xuxa, Eliz, fica sempre meio perdida no meio disso tudo. Segue a gente só. "Cadê a Eliz? Não que a gente já perdeu ela em Poa?!" Ai ela diz: "Eu tô com fome, May, e vi que ali em cima tem chopp também. Vamos ali depois?!" Chega ela, minutos depois, com mc, batata, sundae, refri. "Ah, e esqueci que eu queria era tomar chopp!Droga!!"
Teve um que não veio na van com a gente e achou um exagero a quantidade de malas que saiu de dentro daquele escolar que a gente "fretou" para trazer a patota da zona sul ( com parada na zona norte para buscar essa que vos escreve). Aposto que pensou "Ainda que bem vim de uber e ainda deu tempo de fumar um cigarro!" Um chopp depois, hora de embarcar, vai ele fumar mais um. "Vejo voces lá dentro, pois a polícia federal sempre implica comigo." Passaporte dele é vermelho.
O pediatra que contratamos, para niguém ter crise de infantilidade, "entrou na faca" duas vezes nos ultimos três meses. "Tu vai escrever de mim. Sou sobrevivente." Galera ficou nervosa se a recuperação seria em tempo. Eu até cheguei a me sentir meio insensível em relaçao a isso, pois tinha certeza absoluta de que ele viajaria. Minha intuição não falha. E eis que ele já vem fazendo as piadas sem graça dele desde o aeroporto, pois queria comer um xis tudo, antes de embarcar. Se eu soubesse, tinha comprado no boteco do lado de casa e trazido para ele.
A professora de matemática trouxe monte de creminhos e perfuminhos. Sem procedência. Sem rótulo. Demorou no raio x. Justo ela. Que já estava emocionada desde a hora que eu disse "Fica tranquila, não terei tpm durante a viagem. Será somente a brabeza habitual mesmo!" Ou então tava chorosa da despedida
com a filha e o genro que vieram jantar conosco no pré-embarque.
Nesse contexto todo, me senti, deslocada. Acalmando o nervosismo do Mano. Dando com pito na agitação da mãe, brincando com Gelson e o Pai, zoando da Eliz que já estava com sono e do Marco nos Rrs. E alertando a Lu sobre minhas brabezas. E eu nisso tudo? Não tive tempo de pensar. Mas a questão é que eu nao gosto de avião. Entrando no finger, começou a tremedeira. O nó na garganta. O tique da mão. Movendo o polegar em movimentos curtos e circulares. A perna meio dormente. A vontade de chorar. Mano, sabendo disso, todo tempo do meu lado, dizendo que avião é seguro e é legal. Na hora de entrar no avião, paralisei. A viagem vai começar para mim também. É o que parece. Ele disse: "Respira fundo. Está tudo certo, Mana, quer segurar minha mão pra entrar?" 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O Rei na barriga...

As três semanas que incluem Natal, Ano Novo e o dia de hoje são sempre muito cheias. Junções, comilanças, ninguém descansa e não se para de festejar. Isso desde que eu era muito pequena.
Pelo "lado do pai", éramos 3 primas de primeira geração. As primas KK e eu. Até que perdi meu posto de a queridinha, a princesa, a que todo mundo agradava. Menos de um ano após termos nos mudado para a casa "com telhado" (pois antes morávamos em apartamento e na minha cabeça de uma criança de 4 anos, prédio não tem telhado), chegou aquele pacotinho gorducho e cabeludo.
Foi no Divina Providência que nasceu. Não foi parto normal, assim como quando eu nasci. Nesse dia, fiquei na casa da Dinda e quando a "entrada foi liberada", fui conduzida até lá para conhecer a criatura.
Nudes desde o final da década de 80
 Lembro de ganhar um bola daquelas do Quico do Chaves, uma fita cassete com músicas infantis. Ele que tinha me trazido. Ele? Aquela coisa miúda com cara de joelho? Nem vem... Dei uma "bizoiada" e como tinha me dado um Mirabel de Coco, fui sentar na janela com vista para o bairro. Sim, sentei na janela do quarto do hospital e curti a vibe, dando um susto em todo mundo. Não queria saber nada disso. Na verdade, preciso reconhecer, não quis desde o início, quando uma barriga estranha cresceu na minha mãe.
Lembro de ficar braba, revoltada com tantas visitas para conhecer aquele pacote de gente cagadinho. E ter que fazer de conta que eu achava tudo aquilo um máximo. Lembro de detestar o vestido branco que quiseram que eu vestisse no batizado e de detestar ainda mais quando quiseram que eu tirasse foto. Não tinha nada a ver com tudo isso.
Lembro de mandar, desmandar, enganar, debochar quando ele já conseguia entender melhor. E ele sempre caía. "Tem gente te chamando no portão" ou "Hoje é TEU dia de ir na padaria". Ou ainda "A Jéssica nasceu!"
Lembro que eu apertava as orelhas dele. Seguidamente. Por um longo tempo isso se repetiu. Até que ele decidiu falar para a mãe e ela disse ''Ué, puxa os cabelos dela". Larguei as orelhas dele. E sigo assim até hoje.
Faz de conta que a gente se dava bem...
Lembro que ele tinha pesadelos com "pipibas na cabeça". A casa inteira acordava. E ele achava que tinha formigas andando na cabeça dele. Acho que isso surgiu após algum evento com piolhos. Imagina... hoje acho que ele ficaria feliz com piolhos, uma vez que para tê-los significa ter cabelos.
Lembro que ele no auge de sua brabeza me chamava de "Boba Feia Chata Horrorosa". E era uma baita ofensa.
Lembro que ele tinha uma coleção de latinhas. Todas empilhadas em cima do guarda roupas. A mãe trabalhava e ficávamos sozinhos. De tempos em tempos, ele gritava "Socorro, socorro". Tinha dado um ''encontrão sem querer'' no armário a ponto de todas as latinhas cairem e ''soterrarem'' ele. Arruma isso antes que a mãe chegue e não vou te ajudar.
Lembro que ele trocava os móveis de lugar no quarto dele. 5 ou 6 vezes por ano. Até que um dia, movendo um cabideiro alto, quebrou o ventilador de teto, que ele ganhara de presente de primeira eucaristia.
Lembro que ele foi coroinha no casamento da Karin e ficou indignado no primeiro aniver de 15 anos que foi, pois não tinha sapato social e teve que ir de tênis com gravata (hoje é estilo isso).
Lembro de ele, assim como eu, ter tido o peso de "ser o aluno exemplar" na escola, afinal todo mundo conhecia o seu Claudio. Ainda bem que foi assim.
Lembro de ele ser noveleiro, memorizar falas e cenas (principalmente depois da ascensão do youtube) e desejar fortemente visitar lugares onde tudo foi filmado. E visitou os jardins, torres, castelos, ... e há de visitar os canais.
Lembro de brigas homéricas. De coisas quebradas, mas também lembro que quando em grupo, ele falava olhando pra mim. E de ele ter vontade de comprar briga com quem me magoava.
Faz de conta que a gente se dava bem II...
Lembro de ele ficar brabo quando me mudei. E ficar brabo quando retornei após 4 anos. E ficar brabo de novo quando me mudei novamente, após 5 anos. E ele não queria nem me dar a televisão e nem levar a mesa que, por sinal, era minha.
Lembro que ele organizou todo meu apê. E ficou meses e meses sem querer me visitar, pois estava traumatizado.
Lembro que ele me ligou quando decidiu que queria dar um rumo diferente na profissão dele. Ligou também quando conseguiu, após semanas de luta, a colocação que almejava e hoje o faz feliz.
Lembro de ele se assustar com a possibilidade de viajar o oceano e ir para tão longe, falar outra língua e me ligar dizendo que não ia mais e depois me ligar de dentro do avião, dizendo que tudo estava em ordem. E eu chorar de emoção.
Lembro que ele foi o último a falar comigo, quando eu, dentro do avião, estava prestes a cruzar o oceano, mais uma vez sozinha. Ele não entende, mas sabe que tenho medo. E depois reconheceu que eu realmente tenho essa dificuldade quando "por medo de avião segurei a sua mão" na decolagem lá nas terras alemãs.
Lembro de muitas conversas sobre anseios e ansiedades e, apesar das rusgas, nos entendermos no que diz respeito "Estou com um frio na barriga". Até mesmo no Champ de Mars, pois somos muito chiques e metidos.
Lembro de pedir ajuda a ele para vestir a meia calça, pra me proteger do inverno alemão, e ele habilidoso que só, não somente não me ajudou como me proporcionou um tombo. Vim a pique, cai da própria altura.
A gente se dá bem, afinal de contas... 
Aqui são muitas lembranças. E tantas outras existem também. Mas a questão é que eu. há três décadas atras, não fazia questão de ter coisas pra lembrar depois dos anos. Na verdade, preciso reconhecer, não quis mesmo e desde o início, quando uma barriga estranha cresceu na minha mãe. Desde que aquele Rei estava na barriga dela. Rei, pois nasceu justamente no dia de Reis. E hoje, reina na minha vida, como Rei polêmico, mas absoluto. E sem querer e já querendo, não sei como seria se não fosse irmã mais velha, mandona, chata, louca, boba, feia, chata e horrorosa desse ser único, exigente, educado, estourado, inteligente, culto, cuidadoso e MEU IRMÃO.