sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Fico para trás...

Ele andava a passos lentos, apreciando a paisagem, a arquitetura... Sorria para as pessoas, pensava em puxar assunto, mas acho que se dava conta de que o idioma era uma barreira. Parava para apreciar vitrines e ter ideias de sapatos, chapéus, sobretudos.  A questão é que em geral ele ficava para trás durante nossas andanças por terras europeias. E acho que fazia isso também devido à loucura que a "comissão de frente" da patota, que era levemente acelerada e agitada (incluo-me nessa e sei que represento papel importante nisso), apresentava. Tenho certeza de que enxergou muito mais do que nós, em sua visão menos ansiosa e nervosa das coisas. Assim ele é. Lutador, trabalhador. Meio atrapalhado, mas de atitude. Conciliador, racional... e com uma visão sempre mais clara e melhor da situação. Eu que o diga.
Foto realmente histórica... (Roma)
Dizem que ele "enrolou" a mãe durante 10 anos até casar. E casou podendo comprar tudo à vista. Acho que fez certo.
Por causa dele, tenho um detalhe geográfico no meu RG, pois nasci em Florianópolis, devido aos áureos tempos de Pepsi em São José.
Certa vez fiquei com as costas raladas, pois em algumas brincadeiras, as quais EU sempre "exigia" serem feitas do meu jeito, eu pedia para ele me puxar pelas pernas, arrastando-me pela casa. Mas havia um tapete áspero. Foram alguns dias de dor. E também houve a vez em que o obriguei a dançar Xuxa comigo na sala e a vibração do piso de madeira fez o anjinho de porcelana se espatifar no chão!
Ele me contava histórias antes de eu dormir. E sob protestos meus, fazia exercícios visuais para acelerar o processo  de cura da estrábica Mayane de 4 anos.
Tranquilidade de quem já sabia que
a compras do cartão cairiam só em março  (Lisboa)
Quando nasceu meu irmão, ele viajou comigo para Floripa. Só nós dois. Eu insisti em dormir em cima no beliche do quarto, fato que o deixou assustadíssimo e preocupado durante a noite e do qual simplesmente não me lembro. Ele, nessa estadia na capital catarinense, presenciou as primeiras palavras que eu li sozinha, quando eu mesmo fiz o pedido no restaurante: "Massa na Manteiga". (Hoje entendo que não li coisa nenhuma. Fiz assimilação fonética, com as sílabas semelhantes às iniciais do meu nome). Achavam que eu era adotada, já que era tão loirinha e ele, ainda com cabelo, o tinha escuro e acompanhado de barba igualmente escura. Temos esses momentos só nossos!
Ele sempre foi muito presente. Inclusive na minha vida escolar. Eu era a filha do Claudio Julio do Conselho Escolar. Minha "sorte" era ser, de certa forma, boa aluna, pois havia uma fama a zelar. E depois que passou a trabalhar no bairro então? Aí sim, a fama se consolidou. Na verdade, às vezes penso que os demais pensam que meu pai é fundador do Guarujá. Pois conhece gente demais, desde muito tempo. E gente que ele vai encontrar em tudo o que é canto. Há anos.
Na adolescência, como em qualquer família, tive embates acirrados com ele. Imagina? Ele não deixou eu namorar aos 12 anos. Absurdo não é?! Vinte e tantos anos depois, as coisas são tão mais claras... ainda bem! Algumas vezes, a situação financeira era uma chateação para mim. Enquanto pessoas imaturas e em formação, nem sempre conseguimos mensurar a realidade que nos cerca e, em algumas vezes, briguei por não ter o que queria ou ir aonde desejava.
Por que me trazem para a Europa
sempre no inverno? (Amsterdam)
No que diz respeito aos namoricos, costumava ouvir que "ainda não é hora, minha filha". Ou estava terminando o ensino fundamental. Ou o ensino médio. Ou começando a faculdade. Ou terminando a faculdade. Ainda tenho as dúvidas se para um pai há "hora certa", mas sempre achei isso fofo, dentro da medida. A questão é que sempre ouvi o quanto eu precisava buscar a evolução, estudar, trabalhar, conquistar e não depender de ninguém. E que sempre buscasse alguém que me fizesse crescer e com pudesse ter uma parceria. Hoje, após os 30, percebo o quanto essas orientações foram essenciais.
Ele me acompanhou a Carazinho, em uma bate e volta, quando fui fazer minha primeira entrevista para meu primeiro emprego, dois dias depois de formada. Escolheu o apartamento comigo e fez o primeiro reconhecimento do centro do munic
ípio comigo. Foi me visitar algumas vezes, ao longo dos quatro anos seguintes e me deu todo suporte quando decidi dar o "peitaço" e voltar para casa. O mesmo suporte, ocorreu quando me "obrigou" a fazer um concurso do magistério estadual, mexendo alguns pauzinhos para que eu lecionasse na antiga escola, ao lado de casa. E também quando decidi me exonerar. E também quando decidi comprar meu primeiro carro.
Ele costuma enxergar as coisas de forma mais prática e racional. Em geral, eu também. Mas em alguns momentos de dúvidas dominicais, ele me faz enxergar, na ponta do lápis, que a falência ainda não estão tão perto, não! Até por que tenho a tal conta inativa, cuja data de saque ele já me informou!
O dia em que a outra mulher da minha vida
escolheu minhas compras na liquidação (Lisboa)
Tenho a impressão de que estou em eterna dívida com ele. E não falo só de dívida financeira. Dívida de vida. De talvez não retribuir à altura, dentro das minhas limitações humanas e temperamentais, a tudo o que ele é. Fiz uma tentativa de marcar isso em mim e para ele fiz uma tatuagem. "Um castelo forte é meu pai". Pois isso que ele é. Castelo forte em tempos de agitações. Meu óculos multifocal quando não enxergo do jeito que deveria.  Meu espumante em momentos de comemoração. Meu cochilo pós-almoço quando bate a preguiça. Meu papo-cabeça certeiro sobre política. Minha base para ser Tricolor. Meu passo lento e observador em lugares novos.
Que teu novo ano, meu pai, seja somente de coisas boas. E que, ajustados nossos passos, possamos observar melhor e colecionar muito mais momentos juntos. Sejam eles como os das fotos, sejam eles de mate na parreira na zona sul ou de socorros financeiros na zona norte. Orgulho de ser tua filha, orgulho do que és.
Ria alto. Sorria para as pessoas, puxe assunto e conte as piadas sem graça que tem, sim, graça (eu é que sou chata). Continue a andar a passos lentos, apreciando a paisagem, a arquitetura... Pare para apreciar vitrines e ter ideias de sapatos, chapéus, sobretudos. Eu prometo desacelerar e ficar para trás junto contigo. FELIZ ANIVERSÁRIO!



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ora pois, Portugal... somos 8 novamente, mas nem sempre.

Última etapa iniciou retornando ao solo português, onde só estivemos no aeroporto na conexão para Veneza. Confesso que foi um alívio pensar que não havia mais a barreira do idioma e poderíamos simplesmente agir naturalmente (a minha expressão oral, partindo da minha análise auto-exigente, é limitada e eu sempre tive a impressão que soava artificial, uma vez que eu ensaiava as falas! Tudo o que eu sempre digo para os alunos não fazerem, Afirmo que devem simplesmente se preocupar com a comunicação! Santo de casa...).
Após três horas de voo entre Amsterdam e Lisboa, tivemos o desafio de deixar as malas (as quais a cada dia se multiplicavam!) no aeroporto e rumar a Fátima de ônibus apenas com uma mochila, para evitar tanto peso sem necessidade. Deixa comigo que vou perguntar onde pegamos o transporte para o terminal rodoviário. "Pegas o autobus na paragem aqui a frente. Verás pessoas de camisolas amarelas!" É, a tal barreira inexistente do idioma parece que apresenta alguns limites. Mas nos encontramos e após uma coxinha de frango para alguns e bolinhos da bacalhau para outros, rumamos à cidade dos três pastorinhos.
Visitar Fátima era significativo demais para minha mãe. Ela se chama Jacinta. Foi uma forma de minha avó mostrar sua devoção à Nossa Senhora de Fátima. Batizou também outros dois filhos com nomes dos pastorinhos: Francisco e Lucia.
Depois de uma hora e meia, desembarcamos na cidade e fomos a pé ao hotel, que fica incrivelmente ao lado do santuário e que recebeu uma ônibus cheio de coreanos, chegados da Espanha e que fizeram check in logo após nossa trupe, que a essa altura ainda contava com sete pessoas. Era aniversário do Gelson, portanto jantamos no restaurante do hotel, que apresentava um buffet muito bom, com direito a bacalhau para eles e carne vermelha para mim. Brindamos com vinho verde e fomos ao Santuário, pois havia a oração do terço às 21h30 na capelinha das Aparições.
A esplanada vazia, a basílica iluminada, a oração multicultural em português, coreano e polonês, a chuva  fraca e o frio deram um ar místico ao lugar. Realmente a energia é singular, como já tinha me relatado até mesmo uma pessoa agnóstica que já estivera em Fátima. Na manhã seguinte, o plano era rumar ao vilarejo onde teriam ocorrido algumas aparições e onde moraram as crianças.
Chovia muito pela manhã. Solicitamos um táxi que nos fez um pequeno tour guiado.  Emocionante. Paisagem linda. Lugar acolhedor. Transbordando fé e história. Terminamos com a missa na Basílica e pouco após as 13h, rumamos a Lisboa.
Após resgatar as malas e encontrar um táxi que levasse sete pessoas e umas nove ou dez malas, chegamos ao hotel e reencontramos nosso oitavo integrante. Uma volta para reconhecer a vizinhança, um vinho português, um jantar com bacalhau para eles e carne para mim. E uma sensação boa de "estar em casa".
A primeira ida à parte histórica não contou com os dois dodóis da turma: mãe e Gelson. Ainda febris devido ao resfriado, ficaram descansando no hotel. (Uma pena. Não tenho foto com a minha véia em Lisboa). Fizemos um roteiro turístico adaptado às necessidades que alguns tiveram de aproveitar liquidações. Subimos no Elevador de Santa Justa, cuja visão nos deixou apaixonados pela cidade. Perambulamos pelo Rossio. Tomamos a Ginjinha Espinheira, indicação valiosíssima de um "destemperado" amigo. Algumas garrafas compradas e tonturas adquiridas por pessoas sensíveis aos 23% de gradação alcoólica, e então almoçamos em restaurante com vista para a praça D.Pedro IV (com direito a mais um shot de Ginjinha dessa que vos escreve!). O charme ficou por conta do passeio pós-almoco com um daqueles bondes antigos e uma visita relâmpago no Castelo de São Jorge. E mais uma vista da charmosa Lisboa. À noite, a "ala jovem" jantou no Hard Rock Café e prometeu não ir a nenhuma steak house no próximo semestre, dada a ignorância gastronômica praticada.
Dia seguinte, bate e volta no Porto, somente entre 6. Gelson e Lu resguardaram-se devido ao resfriado ainda insistente. Experiência de voar Ryan Air. Mas isso não tematizarei, pois me arrancou lágrimas. Cidade charmosa nos recebeu com garoa. Depois nos acarinhou com uma chuva torrencial enquanto almoçávamos, depois de caminhar, visitar lojas, igrejas, livrarias (Mudaria-me para a Lello, um sonho!!). O passeio no rio Douro com aproximação cuidadosa com o oceano, uma vez que havia tempestades marítimas.
Um dia inteiro caminhando pela cidade nos fez apaixonar por ela, mas cansar imensamente. Rumamos de volta ao aeroporto. Ânimos cabisbaixos. Final da viagem se aproximando. Talvez fosse por isso. Eis que adormecemos já após a meia-noite e teríamos o último dia em terras europeias a aproveitar.
Último dia teve visita ao Oceanário pela manhã. Encanto e tonturas com tantas marítimas criaturas. Larga mãe no hotel e seguimos para Belém. É do outro lado da cidade. Menos mal que os portugueses são simpáticos e não só nos dão informações, como também aulas de história em meio a relatos de quanto o balanço do ônibus "doem as ancas'' da simpática senhora lusitana. Frio, vento, rio parecia mar. E o tal pastel de Belém?
O último jantar na Europa foi em um restaurante sugerido pelo alemão do grupo. No cardápio, constava o nome do restaurante ("Antônios") com uma curiosa legenda: "Restaurante de Segunda". Perguntei: ''Por que ''de segunda''? "Pois não é de primeira!" Questão é que o clima foi de primeira, sim. Risadas, fotos, agradecimentos, desculpas, vinhos e vontade de quero mais. Muito mais. E não falo da comida ''de segunda''.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Amsterdam Experience... jornada dos 7, às vezes 6...

Não curto avião, mas tivemos que enfrentar o terceiro voo em uma semana para poder rumar à capital do Reino dos Países Baixos (popularmente conhecido pelo nome de suas maiores províncias, a saber Holanda do Norte/do Sul): Amsterdam. E de cara, um encantamento com a forma que fomos recebidos, onde até essa que vos fala se fez entendida em seu inglês precário com sotaque germânico na hora de perguntar de onde saía o trem para a estação "Sloterdijk".
O aroma característico de uma quinta à noite com a juventude em frente ao hostel (que fica incrivelmente "grudado" na estação com nome quase impronunciável supracitado ) deixou a ala mais madura do grupo um pouco chocada. Ou vai ver era só o frio de -2ºC. Eu estava encantada com a semelhança, nesse pouco contato entre o aeroporto e o hotel, com a "minha" Alemanha. E pela segunda vez, dormia na parte de cima de um beliche. A primeira experiência fora em Munique, dois anos antes.
O encanto se concretizou no dia seguinte no primeiro tour na cidade, com direito a Sprinter (uma espécie de trem regional que nos deixava na estação "Amsterdam Centraal") e o tram (bonde dentro da cidade). E o resquício de decepção que havia, depois de um tratamento não muito atencioso dos italianos, se desfez quando simplesmente fomos abordados por um funcionário da empresa de transporte, enquanto estávamos na fila para compra o ticket de ida ao centro. "Precisa de ajuda?" Não preciso mais nada, essa gente é demais. Apaixonada pelo país.
O frio congelou nossas mãos e ouvidos enquanto tiramos fotos bem típicas no letreiro "I Amsterdam" em frente ao Rijksmuseum ou perambulamos sem rumo pelas ruas do centro, até achar um restaurante fofo e rústico com direito a sopa e Heinekens. E eu que não reclamo do frio, realmente congelei as mãos. Mas a felicidade de uma amante do frio não se abalou.
Passamos por ruas, parques e praças charmosas. Tiramos fotos clássicas nos canais. Até achar a rua de Souvenirs que leva à estação e que também tem um supermercado Albert Heijn, tipo patrimônio da Holanda, como o Zaffari no Rio Grande do Sul. Só que bom! Feito o dia. E todos amando tudo. Inclusive as famosas batatas-fritas de rua, com bastante maionese. :)
Dia seguinte, algumas emoções conhecendo a casa da Anne Frank, infelizmente com a mãe resfriada e com suas tosses alérgicas, remediadas pelo médico particular do grupo. Larga a mãe no hostel para descansar e vamos para a Heineken Experience, com direito a gravar nome na sua garrafa e no seu copo. 
Animados após a degustação, não podia falar uma passada no Red Light District, que dentro da nossa imaginação era algo muito maior do que era. Mano não se conformou e seguir duas quadras adiante, até retornar se conformando que não tinha mais nenhuma zona por ali.  
Mãe febril no retorno, preocupações, um desentendimento de irmãos, cansaço extremo, choro... nada além do normal, se 7 pessoas convivem mais de dez dias praticamente o dia todo.
Domingo de aniversário de casamento dos véios. Para quem casou em um calor de 40 graus e passou lua de mel em Camboriú, comemorar a data 35 anos depois em um frio negativo holandês não é ruim, não. Tivemos uma baixa: número cinco não acordou. Pena... foi dia de conhecer Zaanse Schans, onde ficam os famosos moinhos, e de imaginar a beleza de um dia de verão nesse lugar. Se bem que o frio estava bom para a sopa com vinho que tomamos antes de retornar. E então fazer as últimas compras de tamancos de madeira, tulipas também de madeira, ou em forma de sombrinha, entre outras coisas que deixam qualquer turista louco. E do último mate na terra dos diques, com a facilidade de nem precisar esquentar a água, pois a da torneira já estava praticamente no ''padrão Mayane de esterilização de cordas vocais".
A vontade de ficar era grande, mesmo o hostel não tendo banheira. Mesmo com o café da manhã não incluso. Mesmo com nomes impronunciáveis e com tantos outros nomes com Dijk e Dam no final. Mesmo com o tal aroma característico. Mesmo sem o Spice Muffin. Ah, baita troço de cidade.  Beber Heineken, mesmo no Brasil, há de ter sempre um quê de saudade.



domingo, 5 de fevereiro de 2017

Attenzione... ou jornada dos 8, agora 7

Na primeira semana fora de casa, passamos por duas cidades. Veneza encantadora nos deixou impressionados com a beleza dos canais e a habilidade dos gondoleiros. E o preço dos restaurantes. E o valor do transporte. E com a falta de carros na ilha. E com a  igreja de Nossa Senhora da Saúde que era "em frente ao hotel", mas nos levou duas horas de caminhada. De ruelas, vielas, pontes, prédios charmosamente "mal cuidados", garçons mal-humorados de cafés. De atendentes de hotel "bem piás", falando português. De gritos de "Attenzzione" dos carrinhos de entrega de manhã cedo. De hotel antigo com "baldiação" de elevador para chegar ao andar do quarto. De tombos correndo em direção ao canal. De se perder voltando ao hotel e quase cair de fato em um canal. De "vinos rossos". De proseccos, papos cabeça no quarto, porre e choradeira (tinha que ter uma experiência em solo europeu, não?). De barco-táxi com medo de cair e de perder a mala. De vaporetos lotados e de gente se afogando (Sim, uma pessoa caiu da embarcação nas águas do Grande Canal, em frente à estação de trem, enquanto lá estávamos aguardando o trem para Roma. Cheguei a vê-la tentando alcançar a boia, mas não sei se com sucesso!!!!). De embarque em Frecchiarossas com direito a farofada e chimarrão.
Roma nos recebeu em um domingo à noite e nos deixou meio mal impressionados. Estação lotada. Mapa e intuições certas, falta de confiança conduzindo pro lado errado. Pessoas sem falar inglês. Uma hora e meia para encontrar hotel que estava distante 500 metros. Um grupo, agora já de 7 pessoas, cansado ao extremo e comendo um sanduba qualquer e indo dormir achando que a cidade podia, sim, ser melhor sinalizada. O dia seguinte de intensa programação, depois de meia manhã de folga: Coliseu, Foro Romano, Paladino. Aí sim, chegamos a Roma. Mas a galera continua sem falar muito inglês, mesmo depois de a gente arranhar um "no parlo multo biene, can you speak english?". Isso não foi problema, na verdade,principalmente para os mais vecchios que simplesmente falavam em português e pronto. Vamos procurar a Fontana de Trevi? Decepção: achamos, mas não achamos, achando que tínhamos achado. Segundo dia de Castel Sant'angelo e reconhecimento de cenas de "Anjos e Demônios", vis(i)ta relâmpago da Piazza San Pietro com pensamento "Isso é o Vaticano?", Piazza Navona, poder do mapa em minhas mãos (com Google Maps, é claro!), Pantheon, una pasta a la carbonara, finalmente a Fontana de Trevi cheia de gente e com moedas na fonte e, escuta, onde é a tal Kiko Milano? Arrisquei um Gelatto e a intolerância à lactose me permitiu seguir tranquila até o hotel.
Terceiro dia, cedo pro Vaticano. Cruza a praça São Pedro. Preciso retirar os tickets? Fala com a guarda suíça. Mas eles só ficam lá dentro. Fala com a Gendarmeria. Cruza de volta. Pergunta para um cardeal. É lá do outro lado. Cruza de novo, mano. Mas disseram que era aqui, como assim do outro lado? Afinal de contas, onde é a tal porta de Bronze? Do outro lado? Entra na fila da basílica? Corre, o papa deve estar entrando. E, sim...o Chiquinho já estava lá. Frio na rua e audiência papal semanal dentro da sala com nome de papa. Emoção de ouví-lo e sentir a presença dele no mesmo ambiente, mesmo que de longe, pagou a correria. Almoço em típica cantina italiana, com direito a nos enganarem na promoção de dez euros que saiu por 14, afinal pedimos o tamanho maior (e não tinha informação de tamanho dos pratos!) e com tiramissu de baunilha (que na verdade era torta, número cinco que entendeu que tiramisu tem vários sabores!!!). Partiu Museu Vaticano e por fim a Capela Sistina. Não pode fotografar? Ufa, ainda bem. Não aguento mais tirar foto de tudo!! E não aguento mais os chineses por tudo! Inclusive fotografando os afrescos de Michelangelo. E na saída, passo direto e nem vejo mais nada de nenhum papa. E entre muitos "no, thank you" para quem oferecia suportes de selfie, souvenirs, tours guiados que tentavam nos empurrar simplesmente por que éramos quase um grupo CVC, um desses chatos me oferece algo que não lembro o que era e na minha negativa larga um  "que brasiliana antipática". Pois aí essa"alemoa" irritada  responde "Sou antipática mesmo e só retribuo o teu tratamento, seu abobado!" É...acho que estamos cansados! E puxa vida, temos que ir na pizzaria que fica no caminho do hotel. Passamos por ali pelo menos duas vezes ao dia e o mesmo garçom sempre nos saúda e diz que está a nossa espera. É... nem todos os romanos são tão antipáticos do que aqueles quatro ou cinco que simplesmente não nos deram informações no primeiro dia na estação. E a pizza era ótima, sem dúvida.
Última manhã, encomendas: make-up (essa Kiko Milano rende sempre mais e mais compras!!), camisetas de time, casacos e blusões em liquidação, casacos esquecidos no quarto após check-out e van lotada, mas lotada mesmo de mala e gente louca. Itália para trás! Mas sem esquecer os limoncellos!! Arrivederci, Italia! Good bye, Italy. Nessa mistura de sentimentos e idiomas, viver um pouco da tua história nos deixou lembrança de muitos bons momentos.
São as coisas boas da vida!