sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Sol de Natal

Hoje pela manhã vi, de relance, a Fátima Bernardes. E a música que tocava é essa aqui do post. Já muito chorei e orei com ela. E me emocionei novamente, pois ontem, em um desabafo, nessa síndromes de fim de ano, uma amiga comentou o quanto esse ano tinha sido difícil e o quanto estava sensível com a proximidade das festas. E eu me senti estranha, pois é difícil dizer que está ou vai ficar tudo bem, pois para mim as coisas pareciam diferentes. 
Então me dei conta, de fato, do quanto as pessoas ficam mexidas com essa época. O engraçado que eu não. Justo eu que me deprimo com domingo, não me abalo com o fim de ano.
Natal é família. Tem sempre junção, desde que me conheço por gente e o velho Eduardinho e a Lucilinha viviam. A família aumentou, ocorreram algumas "deserções", mas a junção permanece. O que isso tem de diferente do restante do ano? Só o amigo secreto, que esse ano é minguado, por causa da crise. No mais, a gente se junta muito. Em datas especiais. E sem motivo algum também. Portanto, nada de diferente. A não ser pela parte de o cardápio ser um tanto típico, a mãe sempre coordenar o presépio vivo na missa de Natal e a gente se arrumar um pouco mais. Mas no mais, será mais uma junção sensacional, mas normal. A gente se ama e se reúne. Sei que a prima Karin é capaz de dar um choradinha amanhã, na hora de alguém discursar. Mas a gente vive junto e se dá bem. Para mim, nada, realmente nada de diferente.
A Simone, naquela famigerada música, sempre pergunta "É Natal e o que você fez?". Poxa, fiz um bocado de coisa. Tanta coisa que nem dei conta de que JÁ era Natal de novo. Foram dois semestres letivos concluídos com sucesso, muitos quilômetros do meu Bala de Prata e algumas dívidas no Bradesco. Vivências intensas, dias corridos e cheios de trabalho, noites de rivotril, garrafas de vinho tinto no frio e branco no calor, segundas de terapia, junções, amores, amizades, até um blog... porta,  fiz monte de coisa, Simone. Não pressiona. Só por que está chegando 31.12 tenho que refletir, retomar, revisar, refazer planos? Meus planos não são medidos por anos. São planos de vida. Alguns a curto, médio ou longo prazo. Mas não se restringem a calendários e trocas de dígitos. Meus planos não alcançados, sei bem por que não os alcancei. E sei que os alcançarei, quando for o tempo. Fim de dezembro, pra mim, é um fim de mês qualquer. Diferença que tenho o mês seguinte livre, em pleno verão, estação que menos gosto. E eventualmente viajo em família. Mas no mais, o ano novo é mais uma junção, daquelas que já falei aí em cima.
Sei que não é para todo mundo do mesmo jeito. Tem gente que vai se emocionar, ficar sensível, pensar que ano foi uma merda e não vê perspectiva para logo. Mas não se deixa levar pela sensação de que nada fez, que não saiu do lugar. Quer fazer a limpa nos documentos e nas roupas? Faça...mas aconselho a não deixar acumular e fazer só uma vez ao ano. Dá muito trabalho. Quer renovar planos? Renove...mas não coloque neles um prazo de 365 dias para cumprir. Quer se reconciliar? Reconcilie... mas não precisa esperar o fim de ano, não. A gente pode pedir desculpa a qualquer hora do ano. Quer refletir sobre os rumos da sua vida? Reflita todos os dias...é mais saudável que deixar tudo acumular na correria, cansaço de fim de ano. Tem que tomar decisões? Tome-as... Mas não precisa pensar em tudo a decidir agora, até por que dizem que não se deve decidir nada nessa época (Dizem, mas para mim não faz diferença.) Se mesmo assim, parece que tem um peso nas costas, não preocupa.. A noite nem sempre é o que parece. Há lugares em que sol aparece à noite. Olha que troço louco? E se mesmo assim for complicado, acalma...Amanha será outro dia. No caso, Natal. Mas não é nada demais, não.  É só mais um final de mês! E tu és o sol!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Decepções (reais vividas ou ouvidas)...

Engraçado como na vida da gente há tantas pequenas decepções. Tudo bem, algumas não tão pequenas. Outras previsíveis, outras surpreendentes. Mesmo assim decepções. E como lidar com isso?
O namorico que se apaga, depois de alguns anos, ao se perceber que não há intimidade verdadeira, pois não é só o corpo que conta. Decepção por nunca ter havido um espaço real, uma vontade além da carnal, um envolvimento efetivamente sentimental, no fim não chegou nem a ser GRENAL.
O casamento que se esvai, também depois de anos e de frutos. depois de amizade, de companheirismos, de amor. A decepção por perceber que há necessidade de se afastar, mas só se for para machucar. Afastar, mas continuar ali. Olhando, vivenciando, acompanhando em torturante solidão. E em meio à frustração, sorrir, subir no salto, maquiar e trabalhar para não deixar a decepção minguar a certeza imensa de que tudo isso vai passar, por que não é o tamanho que mede a força.
A dedicação que não é reconhecida em um trabalho de fé, de doação, de coração. Decepção por não querer mostrar à mão direita o que a esquerda faz, mas mesmo assim perceber que as duas mãos são amputadas sem aviso prévio, tipo puxada de tapete e tirar aquilo que nutri a espiritualidade individual, justamente onde se deveria pregá-la de todas as formas, mesmo em meio às humanas falhas.
A máscara que cai quando uma posição de liderança, e por que não concorrência, se mostra maior que qualquer limite plausível e lógico. Sentir-se invadido em sua privacidade, questionado de seus valores, humilhado em seus planos. Decepção dilacerante que mina perspectivas e, apesar de previsível, ainda decepção pela confiança mútua e traída.
A humilhação de ver seu time, campeão de tudo nos últimos anos, por incompetência e, ao fim, por apatia de seus próprios jogadores, ficar reduzido a uma letra, à flauta (desde que saudável, sou adepta), a insultos ridículos, justo após ver, resignado, o co-irmão voltar à sua história, de forma talvez subjetiva, muito mais longa e vitoriosa, e explodir de alegria.
A revolta com o rumo do país, com as discussões pró e contra sem fim, pelas brigas, ofensas, xingamentos, indiretas. Pelos discursos que, apesar de cheios de palavras bonitas, são na verdade sem palavras. Pela culpa jogada de lá pra cá de quem escolheu lacrar na urna, ou bater panela. Decepção com o verde da bandeira manchado por todos os tons de corrupção e ideologias.

Agora te digo uma coisa, há uma decepção tão, mas tão maior que faz todas essas ai relatadas, não necessariamente por mim vividas, muito superficiais. DECEPÇÃO consigo mesmo.
Não a decepção de ter se equivocado na escolha do namorado, do marido, do amigo, do emprego, do time, do partido político. Decepção por se perceber fazendo tais escolhas, de forma irracional, inconsciente, e só depois de muito, mas muito tempo perceber que elas levam, sim, sempre ao mesmo lugar. É decepção por achar que era A, quando na verdade se é Z e não saber mais a sequencia do alfabeto para chegar até lá. É decepção por achar que é forte por encarar os problemas de frente e resolvê-los de forma objetiva e se dar conta de que não se sabe simplesmente pensar a respeito do que se resolve. É decepção por querer aprender a pensar e não conseguir sair do lugar, pois há muita decepção colecionada. E algumas alegrias, as quais sei que tive, faltantes. Eu comigo mesma.
Decepção por me ver "perdida em mil versões irreais, por trás de todo caos que a vida se fez". Tenta me reconhecer? Em meio ao temporal? Tenta não se acostumar? É que eu me perdi "em sãs desilusões ideais de mim". Não me esqueci de mim, apenas não lembro exatamente o que sou. Isso decepciona. Mas vou tentar (re)encontrar o fio para me guiar. E volto já. E essa decepção TAMBÉM vai passar. Vai dar certo, né?


sábado, 3 de dezembro de 2016

Eu sou a Chape, nós somos a Chape...

Chove em Chapecó. Os meninos voltam para casa. O coração da gente dói e olha que muitos de nós não perdeu ninguém entre os que hoje jogam no céu. E a gente chora quando o primeiro avião chega. Chora junto com o narrador de duvidosa fama e a quem a gente, inúmeras vezes, mandou ficar quieto. Quem diria?! Três tiros. O clarim toca! Bem vindos de volta à casa, meninos. 
 A vida é estranha. Deveras estranha. Segunda fui dormir triste, abatida, envolta em meus problemas. Alguém me disse: "Amanhã vai passar!". Passou. Na verdade, se minimizou. Quase nulo. E não estou falando de futebol, não. Eles são uma metáfora da vida da gente.
Eles da Chapecoense, catarinenses como eu (pois, sim... de nascimento não sou gaúcha),  foram o que a gente é...  Quem nunca se viu na série D da vida? E ai fez um esforço enorme para seguir conquistando as coisas e conseguiu ir para a série C? E aí por que acostumou a lutar incansavelmente continuou a vibrar ao perceber que a série B estava no seu caminho. A motivação levou a perceber que, poxa, eu consigo mais e mais, sendo humilde, simples, sendo o que sou. E aí vem a série A, a Sul-Americana... a FINAL contra o campeão da Libertadores! Quantas vezes a gente chega longe, sabendo de todas as dores do caminho, e não se emociona ao perceber quão longe chegou. E curte aquilo da forma mais intensa. Com uma felicidade imensa. Coração explodindo. É, eles da Chapecoense foram o que a gente é... 
Aí a terça da tragédia me despertou de forma cinza, mesmo com o sol forte que brilhava. E eu tinha um dia inteiro de trabalho e não conseguia entender como, quando, onde, por quê? Então voltei a pesquisar algumas coisas que há muito me despertam o interesse.  Coisas que vão contra à formação católica que tive e a qual, mesmo não mais tão ativa, ainda tenho em mim. Coisas sobre as quais conversei e converso com meus pais . E das quais divergimos Coisas que para mim fazem sentido. Por isso ninguém  precisa se ''escandalizar" com minha tendência, ainda superficial, a achar que o espiritismo complementa o catolicismo, pois minha mãe, ministra, catequista, atuante 100%, sabe o que penso e respeita isso. Coisas de fé!  
Ninguém parte desse plano sem que seja sua hora (a não ser em casos extremos em que alguém decide tirar a própria vida.). Nada acontece sem um propósito. NADA! Mas e me diz: era a hora de 71? E não era a hora de 6 partirem? Como entender os desencarnes em massa? Como entender que Deus traga os seus de volta em tragédias? Já encontrei algumas respostas, que ainda estou assimilando dentro de mim. Um dia vou aprofundá-las mais. Mas a questão, aqui, não é essa. Minha reflexão gira em torno do legado que a Chape deixou.
A vida é finita. As coisas com as quais aqui nos preocupamos são nada. A humanidade tem jeito. Ainda há os que extremem tudo. E sempre haverá. Mas essa semana nos trouxe tantos alentos de amor, os quais não lembro de ter vivido de forma tão intensa nesses 33 anos. Vimos um evento que contraria a ordem natural da coisas. Mas vimos um país inteiro nos acarinhar com homenagens que nos trouxeram, novamente, lágrimas aos olhos. Vimos a grandeza de um time, como o Nacional, conseguir apagar sinais negativos de seu passado, marcado pelo jugo do narcotráfico que comandava tudo na Colômbia, e nos deixar simplesmente encantados com o que fizeram pelos nossos lá. Vimos um minuto de silêncio ensurdecedor no jogo do Liverpool. Vimos a Allianz Arena, lá na minha amada Munique, iluminada de verde. Vimos aqui o clubismo, entre aqueles que são maduros, conscientes e solidários, perder seu lugar. Vimos qualquer tipo de flauta perder o significado. Vimos jogadores e torcedores perderem medo da série B. Vimos uma torcida não se preocupar mais com um jejum de 15 anos (tenho certeza de que meu véio Eduardinho, que nesse último dia 1º teria feiro 105 anos, ficaria ali, sentado no seu sofá, perna cruzada e mão no queixo e, mesmo durão que era, também choraria pela caçula Chapecoense). Vimos o Gun's dedicar música para Chape. A torre Eiffel de verde!
Que não precisemos de mais desencarnes trágicos para refletirmos sobre as coisas terrenas. Que não precisemos que mais aviões sem gasolina devido à mesquinhez e à ganância caiam e desabem dores sobre nós. Que não precisemos de tragédias desse porte para olharmos para dentro de nós. Que não precisemos de chuvas torrenciais, que  para mim hoje em Chapecó são uma forma de Deus tentar nos acalentar e que se misturam às lágrimas e lavem a alma da dor. Que não precisemos perder para valorizar. Que não precisemos mais ver uma cidade inteira ter que se reerguer e seguir em frente (pois essa é o mais difícil, TER que seguir em frente), tentando reencontrar as forças para compreender aqui, em outro planos ou em outra vida, o porquê de tudo isso. Eu aqui estou tentando. Só sei que, essa semana, somos TODOS Chape!