Eu sempre imaginava como seria ter
escolhido outra profissão.
Eu sempre imaginava como seria trabalhar em algo que
me possibilitasse trabalhar em casa.
Eu
sempre imaginava poder acordar a hora que quisesse, fazer meu horário, tomar
meu café com calma, ler as notícias. Fantasiava ficar sentada em frente ao
computador, cumprindo as tarefas cotidianas de pijama e com meu mate ao lado.
Não era questão de ter me
arrependido da escolha profissional que fiz, não! A crise de identidade docente
tive há uns oito anos. E passou! Encontrei-me. Amadureci e lá se vão quinze anos
como professora, aprendendo com erros e orgulhosa do que já conquistei. Mas
sempre imaginei poder desacelerar, ficar em casa, no meu canto tantas vezes pouco
apreciado.
Pois então. Cá estou. Em casa.
Não de pijama, mas quase isso. Com mate ao lado. Ou um vinho. Por que não? Em casa mesmo, ué?! Dei-me
24 horas de folga nesse final de semana (na verdade, pouco menos), depois de sete dias dentro de casa (e apenas 2
saídas!). Horas e horas de home office, percebendo que minha escolha me
proporciona, sim, a possibilidade de trabalhar em casa, no meu canto, isolada,
em isolamento.
E sabe o quê? Não levantei na
hora que queria, não! (Aliás, algumas vezes acordei de fato muito mais cedo do
que o normal!!). Não tomei café com calma e nem li as notícias (essas deixei de
lado de propósito!). Fiz meu mate e não tive tempo de tomar. Fiquei de pijama em algumas vezes,
mas com uma vontade louca de me arrumar, me ajeitar, sair. Outras vezes, o pijama seguiu só da cintura para baixo, afinal não aparece na câmera. Fiquei em frente ao
computador, mas com uma vontade imensa de tumulto, contato, abraço. Aliás,
contato não faltou. Não me senti sozinha em NENHUM momento essa semana. Não
posso reclamar.
Faz uma semana que foquei no
isolamento e no tão sonhando home office. O que conclui disso? Estou
muito mais próxima dos meus que antes (almocei com a família em plena quarta-feira, por que não precisei me deslocar, só realizar a chamada de vídeo!) e isso me faz perceber que não sou mais a
mesma de uma semana atrás. Reinventando-me. Vivi uma vibe muito
diferente de qualquer coisa que já tinha vivenciado. Foi um esgotamento bem
grande, mas proporcional a todo amor que passou a emanar em meio ao caos e à
incerteza do que nos aguarda. Tantos momentos de trocas, vivências, contatos...
emociona pensar no que foi construído na relação com os que me são queridos.
Não seremos mais os mesmos! E que isso nos sirva de lição.
Mas percebi que, do lado de cá, o
desafio é bem maior, sabe? Que vou precisar retornar em um caminho que já me
era conhecido e começar outro. Reencontrar-me e amadurecer no meu caminho profissional
também com a necessidade de uma nova perspectiva. Fim das contas, estou saindo
da zona de conforto. E preciso confessar: ela é bem desconfortável, pois as
cadeiras aqui de casa são terríveis! E eu sonhava com home office. Cada
uma né!?
(Escuta aí a trilha sonora que me embalou a primeira semana de isolamento.
