segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Zona de conforto...







De acordo com meus amigos psicólogos, zona de conforto é um estado psicológico onde a pessoa não está nem estimulada e nem desestimulada em relação a algo. É um posicionamento neutro frente a novas ideias, projetos, resoluções, decisões.
Meu chuveiro elétrico não tem muita pressão. A água sai, mas não com muita força. Lembro disso na hora do banho. Mas tem que chamar alguém. Deixa assim.
A televisão é antiga. A imagem já não é lá essas coisas. Dizem que vai acabar o sinal analógico. Só que ela está ali, em cima da bancada, bem posicionada. Outra TV exige não só investimento. Mas mudança na disposição dos móveis. Deixa assim.
E por falar em sala. O sofá. Ah, o sofá. É usado da mãe. Já veio amaciado. Terrivelmente amaciado. Na verdade, tão amaciado que perdeu o macio. A gata ajudou e desfiou. Tenho que trocar. Achei, então, uma mantinhas de flanela no Carrefour. Botei no sofá. Deixa assim.
Meu travesseiro é daqueles que dizem ser da “NASA”. Daqueles que se adaptam ao movimento e ao posicionamento da cabeça. Maravilhoso. Só que foi para o espaço. Literalmente. Acordo com torcicolo muitas vezes. Mas tem meu cheirinho. E as fronhas cabem direitinho. Deixa assim.
A torneira da cozinha só tem água fria. O dono do apê disse que trocaria. Era só eu chamar. Mas aí tem que chamar. Literalmente. E a torneira tem água de qualquer jeito. Deixa assim.
Eu sei que fazer abdominal na barra tem mais efeito no treino funcional. Mas é que não tenho muita força no braço. Vamos, lá. Tu consegues. Força. A mente que manda. Ah, mas tem como fazer um outro exercício, com movimento equivalente? Deixa assim.
Não se deve dirigir com pé na embreagem. Qualquer tipo de pressão prejudica a caixa e a longo prazo influencia o desempenho do carro. Só deve ser utilizado nos segundos finais da frenagem e para ‘’arrancar”. Isso foi o que ouvi. Mas me sinto mais segura com o pé ali apoiado, pronto para  qualquer cambiada repentina, ou pisada fundo junto com freio na descida da Ramiro. Deixa assim.
Calma. Desacelera esse coração. Tenta relaxar, curtir o dia, o tempo livre. Tão raro te ver sem trabalhar. Como assim? Põe o despertador aí para o cochilo “sem hora” de domingo. O que vai fazer no feriado? No findi? Que vai fazer às 17h de sexta? Dizem que é melhor não ser tão acelerada. Será que sei ser diferente? Deixa assim.
Socializa. Conhece novas pessoas. Te abre. Percebeu que isso já não te faz bem? Não volta atrás. Isso não vai mudar. Nada mudou e olha que faz tempo. Tem gente querendo esse espaço aí na tua vida. Não é tão assustador. Desesperador. O novo é bom. É bom. Será?! Dá preguiça começar de novo. Deixa assim.
De acordo com meus amigos psicólogos, zona de conforto é um estado psicológico onde a pessoa não está nem estimulada e nem desestimulada em relação a algo. É um posicionamento neutro frente a novas ideias, projetos, resoluções, decisões.
Sai dessa zona de conforto. Troca esse chuveiro. Compra essa tv. Arruma esse sofá. E esse monte de travesseiro velho, hein?! Põe a torneira quente na pia. Treina na barra, mesmo que dê calo. Tira o pé da embreagem. Deixa o celular off-line. Levanta a cabeça, olha pra frente. Olha para os lados. Não deixa mais assim, não.

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