A vida é estranha. Deveras estranha. Segunda fui dormir triste, abatida, envolta em meus problemas. Alguém me disse: "Amanhã vai passar!". Passou. Na verdade, se minimizou. Quase nulo. E não estou falando de futebol, não. Eles são uma metáfora da vida da gente.
Eles da Chapecoense, catarinenses como eu (pois, sim... de nascimento não sou gaúcha), foram o que a gente é... Quem nunca se viu na série D da vida? E ai fez um esforço enorme para seguir conquistando as coisas e conseguiu ir para a série C? E aí por que acostumou a lutar incansavelmente continuou a vibrar ao perceber que a série B estava no seu caminho. A motivação levou a perceber que, poxa, eu consigo mais e mais, sendo humilde, simples, sendo o que sou. E aí vem a série A, a Sul-Americana... a FINAL contra o campeão da Libertadores! Quantas vezes a gente chega longe, sabendo de todas as dores do caminho, e não se emociona ao perceber quão longe chegou. E curte aquilo da forma mais intensa. Com uma felicidade imensa. Coração explodindo. É, eles da Chapecoense foram o que a gente é...
Aí a terça da tragédia me despertou de forma cinza, mesmo com o sol forte que brilhava. E eu tinha um dia inteiro de trabalho e não conseguia entender como, quando, onde, por quê? Então voltei a pesquisar algumas coisas que há muito me despertam o interesse. Coisas que vão contra à formação católica que tive e a qual, mesmo não mais tão ativa, ainda tenho em mim. Coisas sobre as quais conversei e converso com meus pais . E das quais divergimos Coisas que para mim fazem sentido. Por isso ninguém precisa se ''escandalizar" com minha tendência, ainda superficial, a achar que o espiritismo complementa o catolicismo, pois minha mãe, ministra, catequista, atuante 100%, sabe o que penso e respeita isso. Coisas de fé! Ninguém parte desse plano sem que seja sua hora (a não ser em casos extremos em que alguém decide tirar a própria vida.). Nada acontece sem um propósito. NADA! Mas e me diz: era a hora de 71? E não era a hora de 6 partirem? Como entender os desencarnes em massa? Como entender que Deus traga os seus de volta em tragédias? Já encontrei algumas respostas, que ainda estou assimilando dentro de mim. Um dia vou aprofundá-las mais. Mas a questão, aqui, não é essa. Minha reflexão gira em torno do legado que a Chape deixou.
A vida é finita. As coisas com as quais aqui nos preocupamos são nada. A humanidade tem jeito. Ainda há os que extremem tudo. E sempre haverá. Mas essa semana nos trouxe tantos alentos de amor, os quais não lembro de ter vivido de forma tão intensa nesses 33 anos. Vimos um evento que contraria a ordem natural da coisas. Mas vimos um país inteiro nos acarinhar com homenagens que nos trouxeram, novamente, lágrimas aos olhos. Vimos a grandeza de um time, como o Nacional, conseguir apagar sinais negativos de seu passado, marcado pelo jugo do narcotráfico que comandava tudo na Colômbia, e nos deixar simplesmente encantados com o que fizeram pelos nossos lá. Vimos um minuto de silêncio ensurdecedor no jogo do Liverpool. Vimos a Allianz Arena, lá na minha amada Munique, iluminada de verde. Vimos aqui o clubismo, entre aqueles que são maduros, conscientes e solidários, perder seu lugar. Vimos qualquer tipo de flauta perder o significado. Vimos jogadores e torcedores perderem medo da série B. Vimos uma torcida não se preocupar mais com um jejum de 15 anos (tenho certeza de que meu véio Eduardinho, que nesse último dia 1º teria feiro 105 anos, ficaria ali, sentado no seu sofá, perna cruzada e mão no queixo e, mesmo durão que era, também choraria pela caçula Chapecoense). Vimos o Gun's dedicar música para Chape. A torre Eiffel de verde!
Que não precisemos de mais desencarnes trágicos para refletirmos sobre as coisas terrenas. Que não precisemos que mais aviões sem gasolina devido à mesquinhez e à ganância caiam e desabem dores sobre nós. Que não precisemos de tragédias desse porte para olharmos para dentro de nós. Que não precisemos de chuvas torrenciais, que para mim hoje em Chapecó são uma forma de Deus tentar nos acalentar e que se misturam às lágrimas e lavem a alma da dor. Que não precisemos perder para valorizar. Que não precisemos mais ver uma cidade inteira ter que se reerguer e seguir em frente (pois essa é o mais difícil, TER que seguir em frente), tentando reencontrar as forças para compreender aqui, em outro planos ou em outra vida, o porquê de tudo isso. Eu aqui estou tentando. Só sei que, essa semana, somos TODOS Chape!
Parabéns pelas palavras bem colocadas...Somos todos Chape!!!!
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ResponderExcluirMuito sentimento nesse texto, minha sobrinha querida... se posso partilhar o que sinto aqui, tenho pensado: a vida é simples, nós a complicamos. Um médico erra na cirurgia, morre o paciente. Um motorista que comete um erro, pode ser fatal pra ele e pros outros. Um piloto ou alguém que tem nas mãos a responsabilidade dos cálculos de um voo e erra, morre muita gente ou senão todos! Se posso completar sem ofender teus questionamentos, refletindo sobre mais essa tragédia, eu me pergunto: qual a diferença de Amor do Pai pelos que sobreviveram e pelos que morreram???....a quem Ele Amou mais????... ou deixou de amar?... Ele ama a todos e por todos nós deu a sua Vida morrendo naquela cruz. Por que Deus não o salvou???... Por que Ele não salvou os passageiros e tripulação??.. Ou PARA QUÊ Ele os deixou seguir no rumo natural?... Mistérios... não sabemos e não podemos explicar ou entender, como podemos explicar a uma teoria de Einstein. Não somos Deus!! Somos limitados... penso que "Liberdade" é a palavra. Não fomos criados com cordinhas amarradas que indo até os céus, teriam anjos a puxá-las e a livrar-nos dos perigos. Somos vítimas de nossos próprios erros ou de outrem... Mas o maior anseio do Homem , o que lhe traz a única e verdadeira felcidade é a volta pros braços do Pai. O Pai os recebe, os acolhe, os guarda e cuida de todos, sim, de todos os que ficaram aqui e que sofrem a ausência. O dia que nós conseguirmos olhar a morte como a única via de nos encontrarmos com Deus face a face, então sentiremos saudade, tristeza, ficaremos indignados com as falhas humanas mas... viveremos uma Paz tão grande, tão grande, que então nada mais será capaz de tirá-la de nós.
ResponderExcluirUm beijinho dessa tia do Rio... Também sou #FORÇA CHAPE
Não há o que entender nesse plano, independente do que se crê. Que voltaram aos braços do Pai, isso não tenho dúvida. Mas não nos tira a vontade de querer entender, aqui e agora, o porquê. Mesmo que não não tenhamos uma resposta concreta e direta, como as de Einstein! Se vamos entende-la, é outra questao.. bjao
ExcluirExato! bjs
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