Pelo "lado do pai", éramos 3 primas de primeira geração. As primas KK e eu. Até que perdi meu posto de a queridinha, a princesa, a que todo mundo agradava. Menos de um ano após termos nos mudado para a casa "com telhado" (pois antes morávamos em apartamento e na minha cabeça de uma criança de 4 anos, prédio não tem telhado), chegou aquele pacotinho gorducho e cabeludo.
Foi no Divina Providência que nasceu. Não foi parto normal, assim como quando eu nasci. Nesse dia, fiquei na casa da Dinda e quando a "entrada foi liberada", fui conduzida até lá para conhecer a criatura.
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| Nudes desde o final da década de 80 |
Lembro de ficar braba, revoltada com tantas visitas para conhecer aquele pacote de gente cagadinho. E ter que fazer de conta que eu achava tudo aquilo um máximo. Lembro de detestar o vestido branco que quiseram que eu vestisse no batizado e de detestar ainda mais quando quiseram que eu tirasse foto. Não tinha nada a ver com tudo isso.
Lembro de mandar, desmandar, enganar, debochar quando ele já conseguia entender melhor. E ele sempre caía. "Tem gente te chamando no portão" ou "Hoje é TEU dia de ir na padaria". Ou ainda "A Jéssica nasceu!"
Lembro que eu apertava as orelhas dele. Seguidamente. Por um longo tempo isso se repetiu. Até que ele decidiu falar para a mãe e ela disse ''Ué, puxa os cabelos dela". Larguei as orelhas dele. E sigo assim até hoje.
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| Faz de conta que a gente se dava bem... |
Lembro que ele no auge de sua brabeza me chamava de "Boba Feia Chata Horrorosa". E era uma baita ofensa.
Lembro que ele tinha uma coleção de latinhas. Todas empilhadas em cima do guarda roupas. A mãe trabalhava e ficávamos sozinhos. De tempos em tempos, ele gritava "Socorro, socorro". Tinha dado um ''encontrão sem querer'' no armário a ponto de todas as latinhas cairem e ''soterrarem'' ele. Arruma isso antes que a mãe chegue e não vou te ajudar.
Lembro que ele trocava os móveis de lugar no quarto dele. 5 ou 6 vezes por ano. Até que um dia, movendo um cabideiro alto, quebrou o ventilador de teto, que ele ganhara de presente de primeira eucaristia.
Lembro que ele foi coroinha no casamento da Karin e ficou indignado no primeiro aniver de 15 anos que foi, pois não tinha sapato social e teve que ir de tênis com gravata (hoje é estilo isso).
Lembro de ele, assim como eu, ter tido o peso de "ser o aluno exemplar" na escola, afinal todo mundo conhecia o seu Claudio. Ainda bem que foi assim.
Lembro de ele ser noveleiro, memorizar falas e cenas (principalmente depois da ascensão do youtube) e desejar fortemente visitar lugares onde tudo foi filmado. E visitou os jardins, torres, castelos, ... e há de visitar os canais.
Lembro de brigas homéricas. De coisas quebradas, mas também lembro que quando em grupo, ele falava olhando pra mim. E de ele ter vontade de comprar briga com quem me magoava.
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| Faz de conta que a gente se dava bem II... |
Lembro que ele organizou todo meu apê. E ficou meses e meses sem querer me visitar, pois estava traumatizado.
Lembro que ele me ligou quando decidiu que queria dar um rumo diferente na profissão dele. Ligou também quando conseguiu, após semanas de luta, a colocação que almejava e hoje o faz feliz.
Lembro de ele se assustar com a possibilidade de viajar o oceano e ir para tão longe, falar outra língua e me ligar dizendo que não ia mais e depois me ligar de dentro do avião, dizendo que tudo estava em ordem. E eu chorar de emoção.
Lembro que ele foi o último a falar comigo, quando eu, dentro do avião, estava prestes a cruzar o oceano, mais uma vez sozinha. Ele não entende, mas sabe que tenho medo. E depois reconheceu que eu realmente tenho essa dificuldade quando "por medo de avião segurei a sua mão" na decolagem lá nas terras alemãs.
Lembro de muitas conversas sobre anseios e ansiedades e, apesar das rusgas, nos entendermos no que diz respeito "Estou com um frio na barriga". Até mesmo no Champ de Mars, pois somos muito chiques e metidos.
Lembro de pedir ajuda a ele para vestir a meia calça, pra me proteger do inverno alemão, e ele habilidoso que só, não somente não me ajudou como me proporcionou um tombo. Vim a pique, cai da própria altura.
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| A gente se dá bem, afinal de contas... |




Amo os 2! Por demais! Feliz aniversario, Claudius!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMana, que texto lindo... São tantos momentos e coisas que aconteceram que me emociono até de lembrar...
ResponderExcluirSão tantos momentos bons de risada, carinho e amor que nem se leva em conta os coisas ruins...
Para mim, mesmo não demonstrando ou me irritando é uma honra ser seu irmão e tenho muito orgulho do que és como pessoas, profissional e amiga...
Eu te amo muito e quero que saibas que estou sempre aqui para o que precisares...
Beijos e abraços
"embro de ele ser noveleiro, memorizar falas e cenas (principalmente depois da ascensão do youtube) e desejar fortemente visitar lugares onde tudo foi filmado. E visitou os jardins, torres, castelos, ... e há de visitar os canais."
ResponderExcluirQuando me perguntam o que mais quero conhecer... Minha resposta...
https://www.youtube.com/watch?v=3VnoXZmHUmw&feature=youtu.be&t=24
Via esses dois andando juntos pra todo lado... e agora, vê-los ainda juntos, parceria um do outro, é muito lindo de se ver. `Pobre de quem não tem seus irmãos como amigos! Que texto lindo, May! E feliz aniver, Claudius!
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