segunda-feira, 13 de março de 2017

Revisão dos 33...

Hoje cedo deixei o carro na concessionária, pois já urgia a revisão dos 20 mil quilômetros. Sou relapsa em relação ao carro. Esqueço de calibrar os pneus. Esqueço a troca de óleo. Não esqueço a gasolina por motivos óbvios, mas muitas vezes ando na reserva, pensando no próximo posto. A revisão, entretanto, não podia mais esquecer, sob pena de perder a garantia, pois não faltava muito para chegar aos 21 mil.
A garota que me atendeu ofereceu as três revisões possíveis. Assustei com o valor. Ainda mais na crise e na espera ansiosa de sacar a conta inativa do FGTS. A diferença entre a completa e básica era grande. Não pensei muito, apesar da questão monetária. "Quero a completa!".
Em outras circunstâncias, optaria pela revisão mais simples! Revisa ai o que é realmente básico, só para eu poder levar o carro logo. Mas não! Hoje, não! Faz tudo que tem pra fazer nessa lista de itens e eu busco à tarde. Parcela em 4x para o susto não ser grande, ainda mais por que é o cartão da mãe. E aí eu vou "engolindo" as prestações aos poucos, mas com a segurança de que após dois anos, meu carro não corre o risco de me deixar na mão nas muitas andanças.
Penso que meu "Bala de Prata" é uma metáfora para meu momento de revisão interna. Durante muito tempo (33 anos, 10 meses e alguns dias) creio que minhas revisões foram somente básicas. Obviamente não me foi preciso realizar as revisões periódicas desde sempre, assim como com o carro. Mas desde que a vida adulta chegou de fato e dela não pude mais fugir, algumas trocas de óleo e calibragem de pneu foram realmente esquecidas no que diz respeito ao motor que funciona aqui dentro. E quando foram feitas, optei pela revisão básica.
Pela primeira vez em anos, tenho me deparado com reflexões profundas sobre mim. Ando em crise com o que fui, sou e serei. Nada dramático, nem que necessite de preocupação demasiada de quem aqui me lê. Mas sim, estou em crise. No geral, tento levar a coisa de forma mais leve possível, com exceção dos momentos de TPM. Mas a crise existe. Uma crise que me obriga a mudar. Uma crise que me obriga a testar meus limites e a brigar. Uma crise que me obriga a me afastar para depois me reaproximar mais serena. Uma briga que me faz enxergar de forma mais clara os padrões de comportamento meus e dos que me cercam, de forma a poder me blindar do que não é bom e curtir aquilo que realmente me fortalece. Uma crise que me fez enxergar que não preciso construir muros para me isolar, mas sim uma cerca com um portão, o qual estará eventual e temporariamente fechado e outras vezes completamente escancarado. Uma crise que me faz reconhecer que os amores mal resolvidos serviram realmente como escola para fazer um próximo amor muito bem resolvido, mesmo que ainda não seja a hora, a meu ver, de dar conta desse tipo de nova e bem sucedida ocorrência. Uma crise que me faz perceber que um domingo sozinha com a gata pode ser um momento muito bom e que um mesmo domingo na casa dos pais igualmente importante, a depender da situação. Uma crise que me faz curtir o meu canto e redescobrir minhas leituras e estudos, coisas perdidas há um tempo.
Acabaram de ligar da concessionária dizendo que tem coisa a mais para ajeitar. Autorizado. Parcela em 5x? Melhor ainda. Da mesma forma, tenho percebido que encontro cada vez mais coisa para rever em mim. Dói, às vezes bastante. Não tem como mensurar. Assim como também os gastos extras da San Marino no UNO doem no bolso.  Mas para seguir em frente é preciso estar disposto a isso, se não o carro corre o risco de me deixar na mão. E as Mayanes que moram aqui dentro também! (Descobri que existem várias Eus que nem sempre andam em harmonia. Mas calma... não estou dizendo que ouço vozes, não... mas perceber que eu me crio e me recrio a cada situação é quase como descobrir que várias Mayanezinhas moram dentro de uma só pessoa...)
Logo mais busco o carro e tenho certeza de que não será mais o mesmo. Do mesmo jeito, a cada dia, algum acontecimento (seja ele pessoal, financeiro, profissional, familiar, físico ou psicológico) faz com que eu me modifique e dê mais um passo no rumo da revisão completa e sem esquecimentos, mesmo que tenha que ser periódica. E eis o segredo. Perceber os sinais do motor e se dar conta quando a revisão é necessária. E espero que assim eu consiga rodar por ai sem grandes panes! Dos dois jeitos!

Um comentário:

  1. Este foi o texto mais lindo que você escreveu até agora e que eu tenha lido.É de uma profundidade "assustadora" e de uma sinceridade(sin cêra,do latim) incrivel e bela. Parabéns! Os frutos virão e se bem que seja impossivel melhor mas como você parece domin ar o impossível acredito e espero pelos próximos. Um grande abraço. Voltarei a ler o texto assim que possivel

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