domingo, 29 de março de 2020

Cada uma, né?!


Eu sempre imaginava como seria ter escolhido outra profissão. 
Eu sempre imaginava como seria trabalhar em algo que me possibilitasse trabalhar em casa.  
Eu sempre imaginava poder acordar a hora que quisesse, fazer meu horário, tomar meu café com calma, ler as notícias. Fantasiava ficar sentada em frente ao computador, cumprindo as tarefas cotidianas de pijama e com meu mate ao lado.

Não era questão de ter me arrependido da escolha profissional que fiz, não! A crise de identidade docente tive há uns oito anos. E passou! Encontrei-me. Amadureci e lá se vão quinze anos como professora, aprendendo com erros e orgulhosa do que já conquistei. Mas sempre imaginei poder desacelerar, ficar em casa, no meu canto tantas vezes pouco apreciado.
Pois então. Cá estou. Em casa. Não de pijama, mas quase isso. Com mate ao lado. Ou um vinho. Por que não? Em casa mesmo, ué?! Dei-me 24 horas de folga nesse final de semana (na verdade, pouco menos), depois de sete dias dentro de casa (e apenas 2 saídas!). Horas e horas de home office, percebendo que minha escolha me proporciona, sim, a possibilidade de trabalhar em casa, no meu canto, isolada, em isolamento.


E sabe o quê? Não levantei na hora que queria, não! (Aliás, algumas vezes acordei de fato muito mais cedo do que o normal!!). Não tomei café com calma e nem li as notícias (essas deixei de lado de propósito!). Fiz meu mate e não tive tempo de tomar. Fiquei de pijama em algumas vezes, mas com uma vontade louca de me arrumar, me ajeitar, sair. Outras vezes, o pijama seguiu só da cintura para baixo, afinal não aparece na câmera. Fiquei em frente ao computador, mas com uma vontade imensa de tumulto, contato, abraço. Aliás, contato não faltou. Não me senti sozinha em NENHUM momento essa semana. Não posso reclamar.

Faz uma semana que foquei no isolamento e no tão sonhando home office. O que conclui disso? Estou muito mais próxima dos meus que antes (almocei com a família em plena quarta-feira, por que não precisei me deslocar, só realizar a chamada de vídeo!) e isso me faz perceber que não sou mais a mesma de uma semana atrás. Reinventando-me. Vivi uma vibe muito diferente de qualquer coisa que já tinha vivenciado. Foi um esgotamento bem grande, mas proporcional a todo amor que passou a emanar em meio ao caos e à incerteza do que nos aguarda. Tantos momentos de trocas, vivências, contatos... emociona pensar no que foi construído na relação com os que me são queridos. Não seremos mais os mesmos! E que isso nos sirva de lição. 

Mas percebi que, do lado de cá, o desafio é bem maior, sabe? Que vou precisar retornar em um caminho que já me era conhecido e começar outro. Reencontrar-me e amadurecer no meu caminho profissional também com a necessidade de uma nova perspectiva. Fim das contas, estou saindo da zona de conforto. E preciso confessar: ela é bem desconfortável, pois as cadeiras aqui de casa são terríveis! E eu sonhava com home office. Cada uma né!?

(Escuta aí a trilha sonora que me embalou a primeira semana de isolamento.

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