sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Bomba de visita




Eu tenho uma bomba em casa. Sim, daquelas de ouro com pedrinhas vermelhas. Daquelas que a gente compra parcelada nas relojoarias, sabe?!
Minha mãe a ganhou da minha avó. Lembro dela, da bomba (e claro que da vó também), desde que me conheço por gente. Mas lembro também que a mãe só usava a bomba eventualmente, quando a alemoada (tios, tias ou a vó) chegava lá em casa e eles, habituados a tomar chimarrão antes do café da manhã, faziam a mãe ''desenferrujar'' a bomba de ouro, que na verdade não enferruja, pois é de ouro, ora bolas! Eu não tomava chimarrão. Nem provava. E como não acordava cedo, não precisava tomar nada daquilo antes do café. Na verdade, não lembro das crianças tomarem tanto chimarrão assim.
Na faculdade, há uns 15 anos atrás, havia uma cozinha no Instituto do Alemão. A gente passava o dia todo no campus, tinha aula manhã, tarde e noite. E mais uma vez me vi com uma alemoada reunida. E óbvio que tomavam chimarrão. Dessa vez, todo mundo bebia (só uma colega de MG que não!). Ai vinha a metida da capital e não bebia? Ah, vamos lá. Vou dar o braço a torcer. Eis o momento decisivo, do qual na verdade não lembro. Só sei que foi no primeiro ano de Letras. Em pouco, mas pouco tempo, virei a ''fazedora oficial de chimarrão''. Sim! Lembro de um evento, seminário de professores de Língua Estrangeira, em que uma produtora de erva mate iria colocar um estande disponibilizando erva e água. Fui designada a orientar e ajudar a quem quisesse fazer chimarrão! 
Após quatro anos morando sozinha, vi que o chimarrão era meu melhor e pior companheiro. Uma térmica solita. Duas vezes ao dia, se desse tempo. Um mate lavado. Diurético que só e me atrapalhando em crises de gastrite. Mas não largava. E não largo. Tenho quilos e quilos de erva em casa. De diversos tipos. Hoje tenho várias cuias. Aqui e na escola. Não aguento um dia sem matear. Nem que seja às nove da noite. Nem que me dê azia. Nem que me tire o sono (para mim, mito!). Levo na mala, pra Europa. E mateio lá, sob olhos desconfiados, pois acham que é lago ilícito. Sim, sou viciada. Vício em conjunto. Vício solitário. Tanto faz. Ele me acompanha agora, enquanto falo com vocês. Ele me acompanha sempre. É um hábito diário. Tenho que fazer todos os dias. Não é só o tomar.  É o FAZER também. Sou a "fazedora" do mate, afinal.
Eu tenho uma bomba em casa. Sim, daquelas de ouro com pedrinhas vermelhas. Daquelas que a gente compra e parcela nas relojoarias, sabe?! Mas não uso ela sempre. É especial... Bomba de visita!! Era da vó. Para quando a alemoada se reúne. Ou os outros que não são da alemoada. E hoje sou eu quem conduz a mateada.  Na minha casa. Na casa dos véios. Na casa dos outros. No Instituto. De dia. À noite. Hoje. Sempre. A mateada... é crônica.




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