terça-feira, 15 de novembro de 2016

Grenal empatado!


Era um cruzamento. Sinal fechado. Eu no ônibus. Ele, no carro. Eu ouvindo música. Ele com o pirralho. Era sábado. Eu a caminho de uma amiga. Ele chegando em casa. O sinal abriu. O T11 arrancou e eu olhei. A gente se conheceu. Se reconheceu. No arrancar do semáforo. Sorrimos um para o outro. Abanamos. Era ele? Digita rápido. Tu que me abanou? Sim!  Também vou pra zona norte mais tarde.  E aí a coisa foi saindo do virtual, que tinha começado 6 meses antes, em um 15 de novembro.
Chorar as pitangas. Chopps de happy hour. Que vai fazer hoje? Que tal um chopp? Trabalho até as 22h. Corujas. Pizzas de super. Filme do Chico Xavier. Ou Novo Lar. Não sei. Sei que era quinta – feira santa. 
Passa para um oi. Tô na frente do trabalho. Hoje não dá. Tô com o piá. Hoje de novo não dá. Foi mal, tô com piá. Tô na frente do trabalho. Demora pra responder né? Cricricri. Tá rápido demais. Cricricri. Tardeee. Diaaaae. Selfie. Gatos. Selfie. Emoticons. Hoje não dá. Tem jogo do Inter. Amanhã tem futebol. Bah. Essa semana é par. Cansei. Assim não dá. Não quero. Nenhuma palavra. Ok. Melhor assim. Me leva pra casa. Vida segue. 
E aí... Tardeee. Diaaaae. Selfie. Gatos. Selfie. Emoticons. Demora pra responder né? Cricricri. Hoje não dá. Tô com o piá. Cansei. Assim não dá. Não quero. Nenhuma palavra. Ok. Melhor assim. Me leva pra casa. Bah, esqueci de responder. Hoje não dá, tô com a mãe aqui. Não esqueci de responder, tá? Chega. Excluído. Os dois de camisetas iguais!! Me mudei. Vou te visitar. Churrasco. Traz o piá. Bah, não tô preparado pra conhecer a família.
Vida segue. Não é pra ser. Não dá. Cansei. Chega. Não quero. Tô com saudade. Mais fácil se eu brigasse. Vai ou não vai? Tô indo... e dessa vez não volto. Dessa vez, tô fazendo terapia.
E aí... Tardeee. Diaaaae. Selfie. Gatos. Selfie. Emoticons. Placa do carro igual? Só que me faltava. Eu sempre arranjo tempo. Tu te enrola demais. Deusolivre.
Tantos surtos. Tantos ‘"chegas". Tantos “me deixa em paz”. Tantos planos. Tantas decepções. Tantas voltas. Tantos “tava com saudade, sim”. Tantos mates. Tantos textões.  Tantas decisões. Tantas convicções. Tantas diferenças. Tantas distâncias. Tantos países. Tantas confusões.
Andando em círculos. O giro é de 360 graus. Sempre. Volto para o mesmo lugar. E nada sai do lugar.  Há anos. Puta merda! Confortável assim? Não... ÓBVIO que não e tu sabe disso, mas não consigo fazer diferente. As razões para seguir são mil. As razões para continuar são outras mil. Empatou esse GRENAL. Já doeu mais. Dói ainda. Mas acostumei. Tipo a unha encravada do dedão que eu já sei que de tempos em tempos vai doer e que com o passar dos anos parece que nem dói mais como doía, sabe?! Estranho. Dor que dói sem doer, mas que continua doendo.
Era um cruzamento. Sinal fechado. Eu no ônibus. Ele, no carro.  Droga! E olha que isso foi a melhor coisa que me aconteceu... Por isso, não passo mais naquele cruzamento. Ou ao menos não olho mais para o lado. 

PS - Menos mal que, após alguns anos, os quais aqui não vou registrar, o Grêmio, o time mesmo, aquele da Arena e do Olímpico, vem bem melhor que o co-irmão, do estádio a Beira Rio. Que bela metáfora, não?







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