quarta-feira, 16 de novembro de 2016

NÃO LEIA: Sou de direita, comprei as dores e ''chutei o balde''...

Geralmente evito discutir posicionamentos políticos e ideológicos. Tenho a tendência a dizer que sou "apolítica". Mas isso ocorre, pois sempre tenho a impressão de que meus argumentos são inferiores, que não vou conseguir expor e/ou defender o que penso, principalmente se ocorrer alguma tentativa entusiasta de me convencerem de que o que penso não é válido.
Há coisas subjetivas na vida. O julgar o que é certo e errado, algumas vezes, pode ser também subjetivo. Eu acho errado, por exemplo, torcer para o Inter. Por quê? Pois sou gremista. Mas isso é subjetivo. Acho absurdo e imaturo os colorados hoje comemorando uma decisão de perda de mando de campo do Grêmio na final, baseada em uma denúncia parcial e uma decisão mais ridiculamente parcial do STJD,  mas sabe o quê? Isso sou eu que penso. Eu acho errado usar adoçante. Mas isso eu penso. Em relação à política e subjetivamente falando, em relação ao que EU acredito, ao que EU penso, ao que EU faço, declaro, para quem ainda não sabia, que sou de DIREITA.
Já fui chamada de "filhinha de papai", pois estudava em faculdade particular, durante o dia, sem ter chance de trabalhar ao longo da formação. A mesma pessoa anos depois me chamou de "burguesa" por trabalhar em escola particular, cujo público/clientela é CLASSE A.
Não tenho que dar satisfação a ninguém. Mas sabem por que estudei de dia e em universidade particular? Eu tinha bolsa, bem antes de existir ENEM, Pro Uni e sei lá o quê. Eu fazia 10 disciplinas no semestre e fiquei doente de tanto que estudava. Às vezes não tinha grana pro xerox ou pra comprar os livros. Mas era filhinha de papai!
Sabem que, na tal escola particular classe A, eu era auxiliar e ganhava menos da metade do salário? Eu dava aula em outras escolinhas de idioma pra melhorar a renda e chegava a pegar 8 bus por dia. Sabia? Às vezes não sobrava grana pro TRI escolar?! Levava marmita não por que era fitness, mas pra poupar. Acompanhei alunos pra Europa, sim, mas não com meu dinheiro e nem o tinha lá para gastar. E sei que assim, muitos vivem. E sei que para muitos, estudar é o caminho para melhorar, seguir, evoluir.
Eu escolhi, por enquanto, não fazer mestrado, doutorado. Mas sei que muitos estão academicamente mais evoluídos que eu, pois tem objetivos claros de vida. Pessoas que passaram por dificuldades semelhantes, o até mesmo piores do que as minhas. Admiro-as. Com todas as forças do meu coração. E isso, independe de posicionamento político.
Tenho uma amiga. Ela foi minha colega na faculdade. Era minha novata. Sei das dificuldades imensas que ela passou naquela época. Também era "filhinha de papai'', pois estudou de dia em faculdade particular, sabe?! Ela se formou, se mudou pra outro estado. Fez mestrado lá. Passou no doutorado aqui. E surgiu o problema.
Trabalha. Tem família. Não é a "filhinha de papai" que alguns pensam. Assim como eu não sou. Ela vem toda a semana de lá pra cá. São umas 20 horas de bus toda a semana, ida e volta! Nem sempre avião tem passagem em conta. Por isso, toda essa mão pra conseguir assistir 3 turnos de aula semanais. Ela fica na minha casa, dorme uma noite e a gente faz uma junção dos trocados de vez em quando pra pagar gasolina, pra comprar algumas coisas no mercado, pra se ajudar... É tipo uma PEC individual. "Gasto mais pra estudar, do que ganho trabalhando, mas o doutorado na federal é um sonho e uma forma de de fato conseguir alcançar meus sonhos e objetivos profissionais! Então, enfrento!"
Semanas atrás, ela vibrou como criança, pois conseguiu achar passagem de avião proporcionalmente mais em conta que o bus. Isso é raro. Pulou, pois teria algumas semanas de deslocamento menos cansativo e mais humano para quem trabalha de segunda a quarta toda sua carga horária para então viajar e estudar. Isso sem contar a filha pequena, o marido ... Ela estava em um entusiasmo sem medida. Chegou a me incomodar. Eu sabia que essa semana, ela viria, portanto, de avião.
Eis que a universidade está ocupada. Eis que não tem aula. Eis que ela não tem dinheiro sobrando, mas vai jogar dinheiro fora com a passagem de avião, que não tem reembolso.
Entendam... não estou dizendo que concordo com tudo o que a PEC representa e apresenta. Não concordo com os rumos da política. Não concordo com o governo que se apresenta e sou a favor do "FORA TEMER". Mas não concordo, e ai entra a minha subjetividade e de alguns que me cercam, com o "direito de ocupar" e  com a privação do direito de ir, vir, estudar, evoluir.. direitos esses que são dos outros.
Teu direito termina onde o meu começa. É meu direito me posicionar ''apoliticamente'' de direita. É meu direito me manifestar e dizer que não concordo. É meu direito ir pra rua, como de fato fui, em um "FORA DILMA".  Graças a Deus, as pessoas que me são preciosas e de meu convívio, e que pensam diferente do que aqui argumento, sabem conviver com essa diferença. Ao menos assim espero. É meu direito, por isso, não ser julgada ou taxada de golpista, fascista (eita palavrinha irritante e erroneamente atribuída!), coxinha, elite, filhinha de papai, burguesa... ninguém sabe o que vivi, o que vivo. Não me venha, com todo o respeito e dentro do MEU DIREITO DE SUBJETIVIDADE, me convencer de que ocupar é democracia e de que ir pra rua fazer baderna, fazer assembleias com quórum duvidoso, gritar ofensas descabidas e argumentos desconexos faz sentido. Não faz...pra mim. Se achas que meu argumento é fraco, raso, sem embasamento teórico, parcial, é teu direito. Se amanhã, eu mudar de ideia. É meu direito. Mas aqui, quem exerce o direito de OCUPAR esse texto com o que eu penso, sou EU! Por que esse é meu jeito de me manifestar. Por que lá fora, parece que alguns direitos não são levados em consideração. Mas é o que eu penso! MEU DIREITO!

NOTA: Não é crônica. É desabafo! E na tpm!


4 comentários:

  1. Expor o posicionamento político é uma coisa que atualmente cansa, tira a gente do sério e transforma nossa paciência em pó. Não falta um revolucionário super atento aos problemas do mundo e altamente politizado para nos rotular de qualquer coisa como coxinha, opressor e reacionário. Cansa, pois como bem dissestes, esses fazem seus xingamentos sem conhecer o mínimo da nossa história de vida. Se fugires do status quo, automaticamente o rótulo vem. Achei super válida tua ideia de se posicionar neste texto, pois só chega aqui quem quer "ouvir" o que vais falar. Posicionamento Claro, coerente e blindado das tretinhas em potencial do Facebook.
    Beijo amiga e muita inspiração para que continues nos brindando com tuas crônicas e causos da vida.
    Paulo

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    1. Obrigada pelo apoio, caro amigo. Cansei de calar, de só ouvir, só ler besteira e ser a golpista, coxinha, fascista ou sei lá o que...Já que esse é meu espaço, pensei justamente isso: vem até aqui quem quiser entender o que passa nessa minha cabecinha. Aos que, eventualmente, não comungam de minha inclinação política, ficou o aviso no título do texto.
      Amanhã cedo espero estar mais calma. Mas a raiva pela amiga que pagou a passagem pra vir a Poa para ter aula e perderá o dinheiro, tão minguado, ainda permanece... É o direito dela. É o meu direito. Ser de direita!
      Abração!!!

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