segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Decepções (reais vividas ou ouvidas)...

Engraçado como na vida da gente há tantas pequenas decepções. Tudo bem, algumas não tão pequenas. Outras previsíveis, outras surpreendentes. Mesmo assim decepções. E como lidar com isso?
O namorico que se apaga, depois de alguns anos, ao se perceber que não há intimidade verdadeira, pois não é só o corpo que conta. Decepção por nunca ter havido um espaço real, uma vontade além da carnal, um envolvimento efetivamente sentimental, no fim não chegou nem a ser GRENAL.
O casamento que se esvai, também depois de anos e de frutos. depois de amizade, de companheirismos, de amor. A decepção por perceber que há necessidade de se afastar, mas só se for para machucar. Afastar, mas continuar ali. Olhando, vivenciando, acompanhando em torturante solidão. E em meio à frustração, sorrir, subir no salto, maquiar e trabalhar para não deixar a decepção minguar a certeza imensa de que tudo isso vai passar, por que não é o tamanho que mede a força.
A dedicação que não é reconhecida em um trabalho de fé, de doação, de coração. Decepção por não querer mostrar à mão direita o que a esquerda faz, mas mesmo assim perceber que as duas mãos são amputadas sem aviso prévio, tipo puxada de tapete e tirar aquilo que nutri a espiritualidade individual, justamente onde se deveria pregá-la de todas as formas, mesmo em meio às humanas falhas.
A máscara que cai quando uma posição de liderança, e por que não concorrência, se mostra maior que qualquer limite plausível e lógico. Sentir-se invadido em sua privacidade, questionado de seus valores, humilhado em seus planos. Decepção dilacerante que mina perspectivas e, apesar de previsível, ainda decepção pela confiança mútua e traída.
A humilhação de ver seu time, campeão de tudo nos últimos anos, por incompetência e, ao fim, por apatia de seus próprios jogadores, ficar reduzido a uma letra, à flauta (desde que saudável, sou adepta), a insultos ridículos, justo após ver, resignado, o co-irmão voltar à sua história, de forma talvez subjetiva, muito mais longa e vitoriosa, e explodir de alegria.
A revolta com o rumo do país, com as discussões pró e contra sem fim, pelas brigas, ofensas, xingamentos, indiretas. Pelos discursos que, apesar de cheios de palavras bonitas, são na verdade sem palavras. Pela culpa jogada de lá pra cá de quem escolheu lacrar na urna, ou bater panela. Decepção com o verde da bandeira manchado por todos os tons de corrupção e ideologias.

Agora te digo uma coisa, há uma decepção tão, mas tão maior que faz todas essas ai relatadas, não necessariamente por mim vividas, muito superficiais. DECEPÇÃO consigo mesmo.
Não a decepção de ter se equivocado na escolha do namorado, do marido, do amigo, do emprego, do time, do partido político. Decepção por se perceber fazendo tais escolhas, de forma irracional, inconsciente, e só depois de muito, mas muito tempo perceber que elas levam, sim, sempre ao mesmo lugar. É decepção por achar que era A, quando na verdade se é Z e não saber mais a sequencia do alfabeto para chegar até lá. É decepção por achar que é forte por encarar os problemas de frente e resolvê-los de forma objetiva e se dar conta de que não se sabe simplesmente pensar a respeito do que se resolve. É decepção por querer aprender a pensar e não conseguir sair do lugar, pois há muita decepção colecionada. E algumas alegrias, as quais sei que tive, faltantes. Eu comigo mesma.
Decepção por me ver "perdida em mil versões irreais, por trás de todo caos que a vida se fez". Tenta me reconhecer? Em meio ao temporal? Tenta não se acostumar? É que eu me perdi "em sãs desilusões ideais de mim". Não me esqueci de mim, apenas não lembro exatamente o que sou. Isso decepciona. Mas vou tentar (re)encontrar o fio para me guiar. E volto já. E essa decepção TAMBÉM vai passar. Vai dar certo, né?


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