sexta-feira, 21 de julho de 2017

Gatos e Erico Verissimo

Quem me conhece sabe que tenho uma gata chamada Ana Terra. E que durante quatro dias após o resgate dela, antes de eu leva-la para o veterinário, ela andou pela casa sendo chamada de Erico Verissimo. Talvez só quem conviveu comigo nos áureos e magros tempos compreendidos entre 2002 e 2005 sabe que minha admiração pelo autor cruz-altense não se limita a batizar gatos. Ou gatas.
Não li “O Continente” na época da leitura obrigatória da UFRGS, pois não sou dessas de ler na modinha. Não sou obrigada. Não passei no vestibular. Após a matrícula efetiva de 2002 na UNISINOS, ansiava por chegar na disciplina de Literatura Gaúcha, na época ministrada por uma, hoje já falecida, professora especialista em Erico. Na grade curricular, isso ocorreria apenas no meio do curso. Antecipei-me. Iniciei, mesmo em meio à enxurrada de onze, doze livros ao mesmo tempo (pois, sim, dessa vez tinha que ler mesmo obrigada, sim senhora!) a leitura de “O Tempo e o Vento” lá pelo segundo semestre. Não teve mais volta. E entendam. Foi “O Continente”, “O Retrato” e “O Arquipélago”. E foi “Incidente em Antares”. E “Olhai os lírios do campo”, “O resto é silêncio”, “Clarissa” e “Solo de Clarineta 1” e metade do 2. Isso do que lembro, pois sou ruim com memorizar nomes.
Quando chegou finalmente Literatura Gaúcha, era outra professora. Já a conhecia, de outras disciplinas de Literatura Portuguesa, mas me decepcionei. Eu já sonhava em um TCC com a especialista do Erico. Mal sabia eu que a finada professora, que veio a ser paraninfa da minha turma e fez seu discurso com trechos de Solo de Clarineta, já tinha lista de espera, na época, até 2007. Acabei optando pela professora que ministrou a disciplina mesmo. E foi a melhor coisa que aconteceu, pois ela era tão especialista do cara quanto a outra, eu é que não sabia. Só que era mais divertida e acessível. E sem querer querendo, escrevi meu TCC sobre Erico Verissimo e duas de suas obras no ano que seria seu centenário.
Lembro de ter uma infinidade de publicações, exposições, seminários, congressos, filmes, documentários sobre ele e sua obra. Lembro de ter tido acesso a obras que nas livrarias e bibliotecas já nem existem mais, do acervo pessoal da orientadora, vindas de pessoas ligadas diretamente ao Erico. Só faltou eu ter visitado Cruz Alta. Bom, não era à toa que eu era conhecida como uma das viúvas do Erico entre as colegas! Durante a produção do TCC, acabei lendo o “Tempo e o Vento” mais duas vezes. Põe na conta aí. Li três vezes tudo então. Após formada, achei em um sebo virtual uma versão em alemão de “O Continente”. Confesso que não li. Não tenho coragem! Fico muito crítica com versões cinematográficas ou traduzidas. Mas o tenho. Um dia chego lá!

Para o TCC, também analise “Incidente em Antares”. E acabei lendo umas três vezes também. Lembro que ele me foi empréstimo de um namoradinho lá em 2002 ou 2003. Terminou o namoro e nunca mais nos vimos. Mesmo! Ficou o livro! Juro que tentei contato para devolver! Depois da faculdade, já era. Cheio de anotações e marcações. Hoje decidi reler. Na história, alguns mortos insepultos voltam para protestar. A gente tem sempre muita coisa insepulta na gente. Vou ver se Antares ajuda a sepultar esses mortos metafóricos. Literatura sempre ajudou. Erico então nem se fala. E é assim mesmo. Sem acento no Erico. E sem acento no Verissimo. Sei do que estou falando. Meu TCC foi nota máxima e sou viúva dele, lembram?

PS- Nunca terei um gato chamando Capitão Rodrigo. Que fique claro! Ele era um caco de homem! Nego-me! Mesmo tendo sido linda e encantadoramente representado por Tiago Lacerda no filme! Um certo gato Capitão Rodrigo jamais! Antes só, não é Ana Terra?!

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