Eu andei sonhando com gente
que não vejo há mais de 15 anos. Isso foi essa semana. Tudo bem, andei achando
uma foto antiga, então na verdade não foi à toa. Acontece que acordei com
saudade. Não sei nem mais do quê!
A vizinha estava com algum
tipo de vazamento. Sabe quando a descarga tranca e a água fica correndo? Era
bem acima da minha cabeça. Três dias. Correndo sem parar. De enlouquecer. Era
torturante. Sonhei que o teto desabava na minha cabeça. Acho que foi na mesma
noite que sonhei com o ex (a pessoa de 15 anos atrás!). Calcula a confusão que
foi a noite.
Hoje faz seis meses. Seis
meses. SEIS MESES! 18 de março foi meu último dia de aula presencial. SEIS
MESES! Lembro como hoje! Lembro de quem encontrei, do assunto da aula, de onde
estava antes e depois. Lembro de pensar nas estratégias para as próximas
semanas.
Sabe o que lembro também bem
claramente? Da capacitação que foi feita, via zoom com colegas e o chefe, para pensar
na condução das aulas online. E eu relembro hoje ainda o mesmo sentimento: “para
que tudo isso? Não vai dar em nada. Logo vamos voltar. Estamos “perdendo tempo”.”
Lembro que foram várias e
várias horas de reunião. E ao final, ao entardecer da sexta, último dia de
formação daquela semana, o chefe chorou. E eu desliguei a câmera e chorei
também. Reconheci dentro de mim: talvez isso faça sentido, pois acho que há de
durar mais tempo do que EU pensava! Pois
então, chorei nos demais entardeceres ao longo de toda a semana seguinte. E eu
detesto/evito chorar.
Mas sinceramente, venho
buscando ainda o sentido. Sei, como todas as forças, que o que faço faz
diferença. Bah, vou confessar, tem vezes que para mim não sei mais se faz. Ao
mesmo tempo, consigo entender de onde esses sentimentos surgem e tento canalizá-los
de outras formas. Sei que faço a minha parte para que, algumas pessoas realizem
sonhos, atinjam metas, enxerguem novas perspectivas. Mas tem vezes que me
pergunto onde meus sonhos, minhas metas, minhas perspectivas ficaram! E aí se
estabelece uma certa confusão! Mas eu sigo.
No meu caso, todas essas questões
(as quais tenho certeza não são exclusividade minha) se devem a um fator
determinante (o qual tenho certeza não é exclusividade minha): não estou
podendo controlar nada. A cada semana uma demanda nova (e nada da vacina!). E
não reclamo de trabalho, não! Mas nem sempre a mente acompanha tudo o que acontece
e me admiro (e admiro a mim mesma, modéstia à parte) por “dar conta” mesmo sem
dar.
É bem verdade que, em seis
meses muito mudou. Eu mudei. Meu mundo (ao menos as pessoas que dele fazem
parte) mudou! A casa mudou. A casa mesmo.
Tipo, o apê. Tenho escrivaninha e um escritório (depois de mais de meia
quarentena, parar de trabalhar na sala me fez um grande bem!). Tenho poltronas
na sala. Tenho uma cama de verdade no quarto extra. Tenho uma cama nova
altíssima que passou a ser meu refúgio na hora do intervalo ( não me julguem,
eu cochilo no recreio).
Também tem uma placa de “VENDE-SE” lá no meu ninho. Lá onde eu tenho sempre um quarto. Um lugar à mesa. Uma cadeira para sentar ao sol. Um kit mate e outro kit birita. Um kit skin care. Um kit ressaca . E o Kit sobrevivência que atende pela alcunha de “PaiMãeMano”. Ah, lá tem sempre alguma entrega do Mercado Livre também.
Eu não segui com a terapia nesse tempo, por que minha vida passou a ser online e para “terapizar” tudo isso na tela do computador ainda não estou preparada. Nem chamada de vídeo com as amigas, para matar a saudade, eu consigo fazer. É demais para mim de vez em quando. Por enquanto, o cano da descarga da vizinha está sob controle. O meu, já não sei! Na verdade, está, sim, pensando bem. Voltei a me dar o direito de chorar. Não todo fim de tarde. Mas em alguns. Ou quando eu acordo com alguma saudade. E vou dizer, não é pouca. E “saudade” de ex não é nada. Tem tanta gente que eu queria abraçar (oi? Eu nem sou de abraço!!!!), mas me privo de ver para manter o “privilégio” de ainda ter os meus nesse mundo.
São seis meses! Seis meses que
me transforaram em uma professora diferente que nem eu mesma ainda sei quem é.
Que volta e meia segue tentando achar sentido lá naquela formação intensiva
para aula online em março e que segue se refazendo como profissional.
São seis meses! Seis meses que
me transformaram em uma pessoa diferente. Não necessariamente melhor. Mas acho
que sim! Torcendo que a água da vizinha siga sob controle. E que nenhum ex me
apareça em sonho, né? Por favor! Tenho saudade é de coisas do presente...
Linda como sempre!!! Adorei o texto e principalmente as mudanças que te permitem deixar chorar e ter vontade de abraçar (eu sigo com essa vontade de abraço contigo, mesmo podendo te ver 2x na semana). Bj, te amo
ResponderExcluirGracias, cariño!
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