domingo, 5 de fevereiro de 2017

Attenzione... ou jornada dos 8, agora 7

Na primeira semana fora de casa, passamos por duas cidades. Veneza encantadora nos deixou impressionados com a beleza dos canais e a habilidade dos gondoleiros. E o preço dos restaurantes. E o valor do transporte. E com a falta de carros na ilha. E com a  igreja de Nossa Senhora da Saúde que era "em frente ao hotel", mas nos levou duas horas de caminhada. De ruelas, vielas, pontes, prédios charmosamente "mal cuidados", garçons mal-humorados de cafés. De atendentes de hotel "bem piás", falando português. De gritos de "Attenzzione" dos carrinhos de entrega de manhã cedo. De hotel antigo com "baldiação" de elevador para chegar ao andar do quarto. De tombos correndo em direção ao canal. De se perder voltando ao hotel e quase cair de fato em um canal. De "vinos rossos". De proseccos, papos cabeça no quarto, porre e choradeira (tinha que ter uma experiência em solo europeu, não?). De barco-táxi com medo de cair e de perder a mala. De vaporetos lotados e de gente se afogando (Sim, uma pessoa caiu da embarcação nas águas do Grande Canal, em frente à estação de trem, enquanto lá estávamos aguardando o trem para Roma. Cheguei a vê-la tentando alcançar a boia, mas não sei se com sucesso!!!!). De embarque em Frecchiarossas com direito a farofada e chimarrão.
Roma nos recebeu em um domingo à noite e nos deixou meio mal impressionados. Estação lotada. Mapa e intuições certas, falta de confiança conduzindo pro lado errado. Pessoas sem falar inglês. Uma hora e meia para encontrar hotel que estava distante 500 metros. Um grupo, agora já de 7 pessoas, cansado ao extremo e comendo um sanduba qualquer e indo dormir achando que a cidade podia, sim, ser melhor sinalizada. O dia seguinte de intensa programação, depois de meia manhã de folga: Coliseu, Foro Romano, Paladino. Aí sim, chegamos a Roma. Mas a galera continua sem falar muito inglês, mesmo depois de a gente arranhar um "no parlo multo biene, can you speak english?". Isso não foi problema, na verdade,principalmente para os mais vecchios que simplesmente falavam em português e pronto. Vamos procurar a Fontana de Trevi? Decepção: achamos, mas não achamos, achando que tínhamos achado. Segundo dia de Castel Sant'angelo e reconhecimento de cenas de "Anjos e Demônios", vis(i)ta relâmpago da Piazza San Pietro com pensamento "Isso é o Vaticano?", Piazza Navona, poder do mapa em minhas mãos (com Google Maps, é claro!), Pantheon, una pasta a la carbonara, finalmente a Fontana de Trevi cheia de gente e com moedas na fonte e, escuta, onde é a tal Kiko Milano? Arrisquei um Gelatto e a intolerância à lactose me permitiu seguir tranquila até o hotel.
Terceiro dia, cedo pro Vaticano. Cruza a praça São Pedro. Preciso retirar os tickets? Fala com a guarda suíça. Mas eles só ficam lá dentro. Fala com a Gendarmeria. Cruza de volta. Pergunta para um cardeal. É lá do outro lado. Cruza de novo, mano. Mas disseram que era aqui, como assim do outro lado? Afinal de contas, onde é a tal porta de Bronze? Do outro lado? Entra na fila da basílica? Corre, o papa deve estar entrando. E, sim...o Chiquinho já estava lá. Frio na rua e audiência papal semanal dentro da sala com nome de papa. Emoção de ouví-lo e sentir a presença dele no mesmo ambiente, mesmo que de longe, pagou a correria. Almoço em típica cantina italiana, com direito a nos enganarem na promoção de dez euros que saiu por 14, afinal pedimos o tamanho maior (e não tinha informação de tamanho dos pratos!) e com tiramissu de baunilha (que na verdade era torta, número cinco que entendeu que tiramisu tem vários sabores!!!). Partiu Museu Vaticano e por fim a Capela Sistina. Não pode fotografar? Ufa, ainda bem. Não aguento mais tirar foto de tudo!! E não aguento mais os chineses por tudo! Inclusive fotografando os afrescos de Michelangelo. E na saída, passo direto e nem vejo mais nada de nenhum papa. E entre muitos "no, thank you" para quem oferecia suportes de selfie, souvenirs, tours guiados que tentavam nos empurrar simplesmente por que éramos quase um grupo CVC, um desses chatos me oferece algo que não lembro o que era e na minha negativa larga um  "que brasiliana antipática". Pois aí essa"alemoa" irritada  responde "Sou antipática mesmo e só retribuo o teu tratamento, seu abobado!" É...acho que estamos cansados! E puxa vida, temos que ir na pizzaria que fica no caminho do hotel. Passamos por ali pelo menos duas vezes ao dia e o mesmo garçom sempre nos saúda e diz que está a nossa espera. É... nem todos os romanos são tão antipáticos do que aqueles quatro ou cinco que simplesmente não nos deram informações no primeiro dia na estação. E a pizza era ótima, sem dúvida.
Última manhã, encomendas: make-up (essa Kiko Milano rende sempre mais e mais compras!!), camisetas de time, casacos e blusões em liquidação, casacos esquecidos no quarto após check-out e van lotada, mas lotada mesmo de mala e gente louca. Itália para trás! Mas sem esquecer os limoncellos!! Arrivederci, Italia! Good bye, Italy. Nessa mistura de sentimentos e idiomas, viver um pouco da tua história nos deixou lembrança de muitos bons momentos.
São as coisas boas da vida!

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