Crônicas de uma mente levemente ansiosa e
acelerada, movida a mate amargo lavado.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
Ora pois, Portugal... somos 8 novamente, mas nem sempre.
Última etapa iniciou retornando ao solo português, onde só estivemos no aeroporto na conexão para Veneza. Confesso que foi um alívio pensar que não havia mais a barreira do idioma e poderíamos simplesmente agir naturalmente (a minha expressão oral, partindo da minha análise auto-exigente, é limitada e eu sempre tive a impressão que soava artificial, uma vez que eu ensaiava as falas! Tudo o que eu sempre digo para os alunos não fazerem, Afirmo que devem simplesmente se preocupar com a comunicação! Santo de casa...). Após três horas de voo entre Amsterdam e Lisboa, tivemos o desafio de deixar as malas (as quais a cada dia se multiplicavam!) no aeroporto e rumar a Fátima de ônibus apenas com uma mochila, para evitar tanto peso sem necessidade. Deixa comigo que vou perguntar onde pegamos o transporte para o terminal rodoviário. "Pegas o autobus na paragem aqui a frente. Verás pessoas de camisolas amarelas!" É, a tal barreira inexistente do idioma parece que apresenta alguns limites. Mas nos encontramos e após uma coxinha de frango para alguns e bolinhos da bacalhau para outros, rumamos à cidade dos três pastorinhos.
Visitar Fátima era significativo demais para minha mãe. Ela se chama Jacinta. Foi uma forma de minha avó mostrar sua devoção à Nossa Senhora de Fátima. Batizou também outros dois filhos com nomes dos pastorinhos: Francisco e Lucia.
Depois de uma hora e meia, desembarcamos na cidade e fomos a pé ao hotel, que fica incrivelmente ao lado do santuário e que recebeu uma ônibus cheio de coreanos, chegados da Espanha e que fizeram check in logo após nossa trupe, que a essa altura ainda contava com sete pessoas. Era aniversário do Gelson, portanto jantamos no restaurante do hotel, que apresentava um buffet muito bom, com direito a bacalhau para eles e carne vermelha para mim. Brindamos com vinho verde e fomos ao Santuário, pois havia a oração do terço às 21h30 na capelinha das Aparições.
A esplanada vazia, a basílica iluminada, a oração multicultural em português, coreano e polonês, a chuva fraca e o frio deram um ar místico ao lugar. Realmente a energia é singular, como já tinha me relatado até mesmo uma pessoa agnóstica que já estivera em Fátima. Na manhã seguinte, o plano era rumar ao vilarejo onde teriam ocorrido algumas aparições e onde moraram as crianças.
Chovia muito pela manhã. Solicitamos um táxi que nos fez um pequeno tour guiado. Emocionante. Paisagem linda. Lugar acolhedor. Transbordando fé e história. Terminamos com a missa na Basílica e pouco após as 13h, rumamos a Lisboa.
Após resgatar as malas e encontrar um táxi que levasse sete pessoas e umas nove ou dez malas, chegamos ao hotel e reencontramos nosso oitavo integrante. Uma volta para reconhecer a vizinhança, um vinho português, um jantar com bacalhau para eles e carne para mim. E uma sensação boa de "estar em casa". A primeira ida à parte histórica não contou com os dois dodóis da turma: mãe e Gelson. Ainda febris devido ao resfriado, ficaram descansando no hotel. (Uma pena. Não tenho foto com a minha véia em Lisboa). Fizemos um roteiro turístico adaptado às necessidades que alguns tiveram de aproveitar liquidações. Subimos no Elevador de Santa Justa, cuja visão nos deixou apaixonados pela cidade. Perambulamos pelo Rossio. Tomamos a Ginjinha Espinheira, indicação valiosíssima de um "destemperado" amigo. Algumas garrafas compradas e tonturas adquiridas por pessoas sensíveis aos 23% de gradação alcoólica, e então almoçamos em restaurante com vista para a praça D.Pedro IV (com direito a mais um shot de Ginjinha dessa que vos escreve!). O charme ficou por conta do passeio pós-almoco com um daqueles bondes antigos e uma visita relâmpago no Castelo de São Jorge. E mais uma vista da charmosa Lisboa. À noite, a "ala jovem" jantou no Hard Rock Café e prometeu não ir a nenhuma steak house no próximo semestre, dada a ignorância gastronômica praticada. Dia seguinte, bate e volta no Porto, somente entre 6. Gelson e Lu resguardaram-se devido ao resfriado ainda insistente. Experiência de voar Ryan Air. Mas isso não tematizarei, pois me arrancou lágrimas. Cidade charmosa nos recebeu com garoa. Depois nos acarinhou com uma chuva torrencial enquanto almoçávamos, depois de caminhar, visitar lojas, igrejas, livrarias (Mudaria-me para a Lello, um sonho!!). O passeio no rio Douro com aproximação cuidadosa com o oceano, uma vez que havia tempestades marítimas.
Um dia inteiro caminhando pela cidade nos fez apaixonar por ela, mas cansar imensamente. Rumamos de volta ao aeroporto. Ânimos cabisbaixos. Final da viagem se aproximando. Talvez fosse por isso. Eis que adormecemos já após a meia-noite e teríamos o último dia em terras europeias a aproveitar. Último dia teve visita ao Oceanário pela manhã. Encanto e tonturas com tantas marítimas criaturas. Larga mãe no hotel e seguimos para Belém. É do outro lado da cidade. Menos mal que os portugueses são simpáticos e não só nos dão informações, como também aulas de história em meio a relatos de quanto o balanço do ônibus "doem as ancas'' da simpática senhora lusitana. Frio, vento, rio parecia mar. E o tal pastel de Belém?
O último jantar na Europa foi em um restaurante sugerido pelo alemão do grupo. No cardápio, constava o nome do restaurante ("Antônios") com uma curiosa legenda: "Restaurante de Segunda". Perguntei: ''Por que ''de segunda''? "Pois não é de primeira!" Questão é que o clima foi de primeira, sim. Risadas, fotos, agradecimentos, desculpas, vinhos e vontade de quero mais. Muito mais. E não falo da comida ''de segunda''.
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