domingo, 1 de outubro de 2017
Eu sabia...
"Life ain’t a merry-go-round
It’s a roller coaster" (Roller Coaster - Bon Jovi)
Eu podia dizer que o texto que aqui é lido foi inspirado após um lindo final de semana de descanso. Ou após as flores que meu irmão me deu em um gesto de carinho gratuito que emocionou. Ou ainda posso dizer que me inspirou a reflexão que segue após um domingo lindo com minha família. Não. O que inspirou foi a merda de um temporal com ventos de mais 100 km por hora que me encontrou no retorno para casa justamente após esses momentos tão revigorantes que listei acima. Mas o que vivi nas duas horas que envolveram meu deslocamento e a minha reação em meio à tempestade nada mais foi do que a metáfora da semana.
Tive uma semana que fugiu ao meu controle. E isso me é muito difícil de admitir. Mas preciso reconhecer que minha agenda manda em mim. Tenho a falsa ilusão de controlá-la, mas não. Sou "descontrolada" em relação a isso. Trabalho com previsão do que pode ocorrer e essas previsões podem ou não se confirmar. Não raramente passo semanas com a previsão se mantendo com tempo bom. Mas essa semana que passou foi desde a segunda de manhã até agora a pouco, domingo à noite (eu sei que domingo já é outra semana, mas ainda não fechou o ciclo!) fora de qualquer previsão minha. Tive que adaptar, remarcar e reagendar compromissos todos os dias da semana. As situações adversas ocorreram por forças que estavam além do meu domínio e exigiram de mim, e de outras pessoas, um "pega junto", uma parceria, afinal estamos no mesmo time e sim, vestimos a camiseta. Os doze anos de vida profissional me deram um jogo de cintura para lidar com eventualidades no que diz respeito às aulas, mas já na segunda pensei eu "Olha, acho que não vou dar conta e vou acabar parando no meio do caminho!". Mas ai mudei a estratégia e decidi pensar por etapas, vivendo por turnos, mesmo que tivesse que pensar na agenda um pouco mais adiante. De vez em quando vinha a ideia "Não vou dar conta". E eu brigava com ela, pois sabia que podia dar conta, sim. E que daria. A Mayane de 15 anos atrás não daria. E não deu por um tempo. A de hoje, não aceita mais isso. Mudou a forma de lidar. Respira e vai. Turno por turno. Algumas paradas estratégicas. Alguns choros no caminho com a possibilidade de tudo estar se aproximando do final e de perceber "Viu?! Eu sabia que daria conta! EU SABIA!" E ai veio o sábado. O irmão me fazendo pipoca para eu assistir minha série que voltou do hiato. O churrasco com a família. Mais um pouco de choro de desabafo e alívio do "Eu dou conta, viu?!". As flores como um carinho no coração. O Grêmio com gol no final do jogo. Vou pra casa, gente! Organizar a semana que há de ser menos "descontrolada".
E aí a merda de um temporal com ventos de mais 100 km por hora que me encontrou no retorno para casa.Outro "descontrole"! Eu não contava com essa previsão, não! Achei que era algo no estilo Cleo Kuhn o que estavam dizendo. O domingo amanheceu lindo. E se chovesse, seria algo sem grande impacto. "Olha, acho que não vou dar conta e vou acabar parando no meio do caminho!" E esse meio do caminho era em cima do viaduto. Fui fria. Peguei um desvio. Faltou luz. Não enxergava nada. Não tinha onde parar tão perto e estava perigoso ficar exposta na rua. Nunca o Carrefour foi tão longe. Tive que fazer uma parada. Assim como na semana, em que pensei por turnos, tive que pensar por partes. O telhado do estacionamento parecia que ia voar. Família avisada. Espera. Espera. Espera mais um pouco. Acalmou. Vou enfrentar. De vez em quando vinha a ideia "Não vou dar conta". E eu brigava com ela, pois sabia que podia dar conta, sim. E que daria. Não tinha luz. Eu continuava sem enxergar. Tinha árvore caída. Carro estragado. Pessoas atravessando na frente dos carros. E eu fria. Racional. Até que então voltei ao meu caminho. Aquele que me desviei. Senti que tinha o controle de novo. Previsão mais uma vez. Primeiro pensei que era um simples congestionamento. Que nada! Alagamento. Gente! Eu não sei passar com carro em rua alagada. Eu desvio! "Não vou dar conta". Não tinha o que fazer. Não tinha como voltar. O choro veio vindo, pois eu sabia que logo ali vinha o fim. Era só alguns metros. Eu tinha sido racional. Dirigi sem enxergar pela falta de luz e quantidade de chuva, com vento quase me levando, e me mantive fria. Mas ali com a rua alagada tremi. "Não vou dar conta." Era a ideia. Briguei com ela. Pensa por partes, mas rápido. Tu sabe o que fazer, só não faz por medo. Agora vai ter que ir. E vai dar conta. A tua agenda e a natureza tu não tens como controlar. Mas os "dar contas" da tua vida são teus! E aí vim chorando até em casa! Era o alívio e o desabafo de perceber "Viu?! Eu sabia que daria conta! EU SABIA!"
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